Seis estrategistas internacionais que trabalharam em campanhas de destaque analisaram, na série do GLOBO 'Brasil visto de fora', fenômenos que rondam a eleição brasileira de 2026. Nas entrevistas, abordaram pautas como a "maldição do incumbente", que tem dificultado a reeleição de presidentes mundo afora, e o descompasso entre indicadores econômicos e a percepção de melhora no dia a dia.
Outros tópicos incluíram as mudanças que as redes sociais causaram na política e a presença de uma direita mais radicalizada em vários países. Foram ouvidos o americano Karl Rove, o espanhol Antoni Gutiérrez-Rubí, a argentina Ana Iparraguirre, a britânica Deborah Mattinson, o equatoriano Jaime Durán Barba e o chileno Sebastián Kraljevich.
Veja abaixo, pela ordem de publicação, o que disse cada um. Karl Rove
Conhecido como "arquiteto" das vitórias do republicano George W. Bush nas eleições presidenciais americanas, o consultor afirmou que um presidente como Lula, que enfrenta dificuldade para convencer os eleitores de que o governo conseguiu bons números econômicos, precisa ter empatia e pés no chão, em vez de insistir naquilo que as pessoas não estão sentindo.
Rove também criticou a política externa do governo Donald Trump, que tem tentado interferir em diversas eleições pelo mundo, como a do Brasil. Leia aqui a entrevista completa.
Antoni Gutiérrez-Rubí O espanhol que trabalhou em campanhas marcantes na América Latina nos últimos anos, como a de Gustavo Petro na Colômbia e a de Claudia Sheimbaum no México, avaliou que as sociedades contemporâneas estão ansiosas, exigentes e imediatistas.
A frustração com a falta de resultados rápidos, disse, acaba castigando governos. Leia aqui a entrevista completa
Ana Iparraguirre A estrategista argentina que fez campanhas em diferentes países da região e hoje é sócia da consultoria americana GBAO afirmou que a integração da direita no continente tem riscos.
Se um dos países começa a dar errado, apontou, outros acabam pagando um preço, como aconteceu com a esquerda na esteira da crise do chavismo na Venezuela. O segundo turno brasileiro deu pistas disso quando Lula passou a associar Flávio Bolsonaro ao argentino Javier Milei.
Leia aqui a entrevista completa Deborah Mattinson
Responsável pela campanha que fez os trabalhistas voltarem ao poder no Reino Unido depois de 14 anos na oposição, a britânica diagnosticou que o eleitorado tradicional de esquerda, diante das mudanças no mercado de trabalho, mudou drasticamente, e que é preciso se adaptar a isso.
Mattinson também disse que, no mundo todo, as pessoas têm sentido que os governos não funcionam para elas, o que dificulta a continuidade de grupos no poder. Leia aqui a entrevista completa
Jaime Durán Barba Aos 78 anos, o equatoriano que ficou famoso por consagrar o argentino Mauricio Macri afirmou que vivemos a política "do espetáculo" e "do scroll", e não das ideologias.
Para ele, assim como outros da série, a América do Sul vive muito mais uma onda "antissistema" do que de direita. Leia aqui a entrevista completa
Sebastián Kraljevich O chileno que trabalhou na campanha paradigmática de Gabriel Boric no Chile e depois serviu Organização dos Estados Americanos (OEA) fez a leitura de que há um setor na região propenso a votar contra o sistema de forma difusa.
A lua de mel, no entanto, tem sido curta, e os presidentes eleitos acabam não conseguindo manter aprovações elevadas. Leia aqui a entrevista completa
O Globo