O Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre deste ano, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. Isso equivale a uma tentativa a cada 5,5 segundos e representa um aumento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025. O estudo considerou tentativas identificadas durante processos de cadastro e validação de identidade, ou seja, casos em que alguém tenta se passar por outra pessoa ou usa informações, documentos ou outros elementos de identidade de forma fraudulenta para abrir uma conta, solicitar crédito ou acessar algum serviço. Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, explica que esse crescimento acontece em um contexto que combina expansão das jornadas digitais e evolução das técnicas usadas pelos fraudadores: — Hoje, mais etapas da nossa vida acontecem digitalmente, desde abrir uma conta até contratar serviços. Ao mesmo tempo, os fraudadores também estão mais organizados e têm à disposição tecnologias que permitem criar abordagens mais convincentes e explorar dados obtidos por diferentes meios. Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o varejo teve o maior avanço no volume de tentativas, com alta de 120,7%, seguido por telefonia (51,4%) e serviços (40,2%). Apesar disso, o setor financeiro permaneceu concentrando mais ocorrências. Juntos, os segmentos meios de pagamento, bancos e cartões e financeiras responderam por 61,1% do total de tentativas identificadas. Entre as datas comemorativas, o Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco, 22,2% acima da média do semestre. Isso significa que, a cada cem validações de identidade na data, mais de duas apresentaram indícios de tentativa de fraude (2,42%). Na sequência aparecem Dia das Mães (taxa 11,6% acima da média semestral) e Ano Novo (5,1%). Rafael Garcia, consultor de Prevenção às Fraudes da FICO, alerta que a fraude de identidade é “silenciosa por natureza” e que as consequências vão além do prejuízo financeiro: — A vítima pode ter o nome negativado por dívidas que não contraiu, enfrentar dificuldade para conseguir crédito próprio e passar por um processo longo de contestação junto às instituições. Tentativas de fraude no primeiro semestre Editoria de arte Mais ataques no Sudeste Entre as regiões, o Sudeste concentrou a maior parcela das tentativas de fraude, com 21,7% das ocorrências no primeiro semestre, seguido pelo Nordeste, com 16,3%. As demais regiões registraram menos de 10% cada. Apesar disso, todas apresentaram alta em relação ao mesmo período de 2025. O maior avanço foi no Nordeste (14%), seguido pelo Sudeste (13,8%). Veja na tabela acima os dados por região. O avanço das tentativas também reforça a importância de ficar atento aos sinais de uso indevido da identidade, apontam especialistas. — Alguns sinais merecem atenção: cobranças por produtos ou serviços que a pessoa não contratou, contas ou cartões que não solicitou, alterações inesperadas no histórico ou score de crédito, comunicações de empresas com as quais nunca teve relacionamento e dificuldades inesperadas ao tentar contratar crédito — diz Bartolassi. Geração Z se torna maior alvo A Geração Z, formada por pessoas que têm entre 14 e 29 anos, apresentou o maior número de ocorrências de fraude de identidade. Foram cerca de 505 mil casos envolvendo essa faixa etária no primeiro semestre, alta de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025. Flavio Correa, líder de Engenharia de Segurança da Cisco Brasil, avalia que é difícil estabelecer uma relação entre idade e risco de fraude. No entanto, ele explica que padrões de comportamento digital característicos de cada faixa etária podem influenciar. No caso da Geração Z, a busca por conveniência pode colocar esse grupo em maior risco. — Apesar da intimidade com a tecnologia, eles priorizam a conveniência imediata e apresentam maior tendência a utilizar a mesma senha em múltiplos serviços, baixar aplicativos de fontes não oficiais, interagir com promoções em redes sociais e cair em ofertas de renda rápida ou cupons — explica o especialista. Conheça alguns golpes Golpe do Sósia - Fraudadores usam tecnologia para comparar a própria imagem com diferentes identidades legítimas em busca de pessoas para encontrar aquela com maior chance de passar por uma validação biométrica. Como se proteger: não compartilhe fotos de documentos ou selfies com documentos. Forneça dados pessoais e biometria apenas em canais oficiais. Desconfie de pedidos inesperados de reconhecimento facial e monitore regularmente o uso do seu CPF. Falsa central de atendimento - Criminoso telefona fingindo ser do banco, relatando compra suspeita e solicitando senhas, transferências ou instalação de apps. Como se proteger: desligue automaticamente. Nenhum banco pede senhas, transferências para cancelamento de operações ou instalação de aplicativos. Ligue para o número oficial do banco ou da financeira. Phishing e páginas falsas - O golpista envia e-mail, SMS ou mensagem se passando por uma empresa conhecida para induzir a vítima a fornecer CPF, senha, dados bancários ou outras informações. Como se proteger: não clique em links recebidos. Acesse a empresa diretamente pelo aplicativo ou digite você mesmo o endereço oficial.
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Brasil teve uma tentativa de fraude de identidade a cada 5,5 segundos no primeiro semestre, aponta estudo
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