Brasil não avança em 10 anos no Pisa e tem mais da metade dos alunos abaixo do básico; países ricos sofrem queda histórica

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A principal avaliação de educação no mundo aponta que a aprendizagem no Brasil vive um cenário de estabilidade desde 2015 num patamar baixo de desempenho. Numericamente, a nota do país no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgada nesta terça-feira, cresceu seis pontos em Ciências (de 403 para 409) e caiu dois em Leitura (de 410 para 408) e Matemática (de 379 para 377) na comparação entre 2022 e 2025, as duas últimas edições realizadas.

Enquanto isso, a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um fórum de países ricos, tem vivido nos dois últimos ciclos uma diminuição histórica de aprendizagem registrada. O grupo de 23 nações que participam da prova desde a criação do Pisa, em 2000, atingiu o menor patamar de ensino nas três competências analisadas.

Ainda assim, a diferença do Brasil para a média da OCDE é de 92 pontos no caso da Matemática (377 contra 469). Em Leitura, é de 58 (408 contra 466). Há quase 20 anos, essas distâncias já foram maiores (de 102 e 131 pontos, respectivamente). No entanto, a desigualdade diminuiu mais por conta da queda das nações ricas do que pela evolução brasileira. Entre 2006 e 2025, a Finlândia, por exemplo, perdeu 80 pontos em Matemática, passando de 548 para 469, e 73 em Leitura, indo de 547 para 474. Esse foi o país com a maior perda de aprendizagem nesse período nas duas competências. Já o Brasil cresceu 7 e 15 pontos, respectivamente, nesse mesmo período. No entanto, a diferença de aprendizagem é grande. As notas do Brasil para as duas disciplinas são de apenas 377 e 408.

De acordo com o relatório da OCDE, uma série de mudanças explica a queda de desempenho em Leitura no mundo. Entre os estudantes, diz o texto, há maior dificuldade com tarefas que exigem envolvimento prolongado, menor disposição para se esforçar em avaliações escolares (especialmente quando têm baixo impacto, como o Pisa) e um enfraquecimento da curiosidade e da perseverança.

O relatório também atribui problemas na escola (clima em sala de aula e as condições disciplinares podem ter se tornado mais difíceis, reduzindo o tempo que permanece disponível para a aprendizagem) e na sociedade (mudanças nos hábitos de leitura, uso mais intenso de dispositivos digitais, aumento do absenteísmo e menor apoio familiar) também contribuíram para essa redução.

De 90 países ou áreas econômicas avaliadas, o Brasil tem a 24ª pior nota em Matemática, a 36ª mais baixa em Leitura e a 24ª em Ciências. Em geral, está abaixo do Uruguai (o país com melhor desempenho na região), Chile e México. E acima de Peru, Argentina e Equador.

Abaixo do básico Um dos principais problemas do Brasil é o grande número de alunos que estão no nível de proficiência básico esperado para um jovem de 15 anos — o segundo patamar em uma escala com seis níveis de aprendizagem. Dados do Pisa de 2025 mostram que, em Matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram ou ultrapassaram esse estágio. Enquanto isso, 65% dos alunos da OCDE conseguiram. Isso se repete em Ciências (48% contra 74%, respectivamente) e Leitura (49% contra 69%). No nível básico de Matemática, os estudantes podem interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente. "Por exemplo, comparar a distância total entre duas rotas alternativas ou converter preços para uma moeda diferente", explica o relatório da OCDE. Já em Leitura, conseguem " identificar a ideia principal em um texto de comprimento moderado" e "encontrar informações baseadas em critérios explícitos".

Líderes asiáticos O Pisa 2025 também reforçou a liderança de países asiáticos na comparação com europeus. Até 2012, países como Finlândia, Estônia e Irlanda protagonizavam nas primeiras colocações, especialmente em Leitura.

Nas edições desde 2015, no entanto, as maiores notas passaram a ser dominadas por regiões chinesas, que são avaliadas separadamente, e países do leste e sudeste asiático. Neste ano, as províncias chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, que formam um único bloco no Pisa, possuem as médias mais altas em Matemática e Ciências. Já em Leitura, a liderança é de Cingapura.

No entanto, mesmo nações que conseguiram as maiores notas de 2025 registraram quedas em relação a 2022. Cingapura, por exemplo, regrediu nas três competências. Em Matemática, foram 12 pontos a menos na comparação com a edição de três anos anteriores.

Já os países da América Latina ocupam as piores notas junto de nações africanas e de representantes do Oriente Médio. Neste ano, Ruana, na África Oriental, participou pela primeira do Pisa e ficou com as piores médias nas três competências.

Conheça o Pisa Realizada a cada três anos pela OCDE, a prova do Pisa é aplicada para mais de 760 mil estudantes no mundo. Essa amostra representa cerca de 33 milhões de jovens entre 15 anos e 3 meses e 16 anos e 2 meses no momento da avaliação nas escolas dos 91 países e economias participantes. Além da idade, os estudantes precisam ter completado pelo menos seis anos de escolaridade formal.

No Brasil, 30.140 estudantes fizeram o teste. Eles estão distribuídos em 1.053 escolas, representando 2,1 milhões de jovens de 15 anos. De acordo com a OCDE, isso representa cerca de 76% da população total de adolescentes nessa faixa etária do país.

Os estudantes fizeram dois testes de uma hora de duração. A prova misturava perguntas de múltipla escolha e dissertativas. Eles também responderam a um questionário contextual, que levou cerca de 35 minutos para ser concluído. Ele buscava informações sobre os próprios estudantes, atitudes, disposições, crenças, seu lar, suas experiências escolares e de aprendizado.

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