'Brasil errou ao não reajustar preços do diesel e da gasolina no início da guerra', diz especialista
A alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo cenário de guerra, tem pressionado os combustíveis no Brasil e levado o governo a adotar medidas para conter os impactos ao consumidor.
PF abre inquérito para investigar preços abusivos de combustíveis
Banco Central e Federal Reserve anunciam novas taxas de juros nesta quarta (18)
Na última quinta-feira (12), o governo federal anunciou um pacote para tentar frear a alta do diesel, com isenção de PIS/Cofins, concessão de subsídios a produtores e distribuidores e criação de um imposto sobre a exportação de petróleo. No dia seguinte, a Petrobras elevou em 11,6% o preço do diesel A nas refinarias. Já nesta semana, estados rejeitaram o pedido do presidente Lula para reduzir o ICMS sobre os combustíveis.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, criticou as medidas adotadas pelo governo brasileiro. Ele avaliou que o país errou ao não repassar, desde o início do conflito, o aumento do preço do barril para gasolina e diesel.
"O Brasil errou, mais uma vez, ao não ter colocado aumentos no preço do diesel e da gasolina logo no início da guerra. Se você olhar o que aconteceu nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, o preço do diesel e da gasolina subiu. Subiu porque o preço do petróleo sobe; então, você tem que transferir isso para os derivados."
O especialista também criticou a proposta de taxação das exportações de óleo, apontando risco de insegurança jurídica e impacto negativo sobre investimentos no setor.
"A novidade que traz esse pacote é esse imposto de exportação no óleo, que, no governo Bolsonaro, não houve. E é um imposto, na minha opinião, que quebra contrato das petroleiras. Você vai tomar dinheiro das petroleiras por meio do imposto de exportação e cria uma certa instabilidade, uma insegurança jurídica enorme para futuros investimentos dessas empresas."
Segundo Pires, o Brasil poderia adotar uma política mais criativa para enfrentar a alta do petróleo, aproveitando o atual ciclo de valorização do barril. Ele estacou que o país possui vantagens na oferta de combustíveis alternativos, que poderiam ser mais incentivados. Entre eles, o etanol, o biodiesel, o biometano e o gás natural.
"Quando você subsidia o diesel, você tira a competitividade exatamente desses produtos que poderiam substituir o diesel, baratear o preço na bomba e ajudar a descarbonizar o setor de transporte no Brasil."
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) também defendeu o uso de receitas provenientes de royalties do petróleo para financiar eventuais subsídios, reduzindo a necessidade de novos tributos.
