Brasil amplia gastos militares em 13% e lidera avanço na América do Sul, diz relatório internacional

 

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O Brasil registrou um aumento de 13% nos gastos militares em 2025, alcançando US$ 23,9 bilhões (R$ 119,6 bilhões), segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo divulgado nesta segunda-feira. O país lidera as despesas na América do Sul e ocupa a 21ª posição entre os maiores investidores em defesa no mundo.

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O crescimento brasileiro ocorre em um contexto global de expansão contínua dos gastos militares. De acordo com o levantamento, o mundo destinou cerca de US$ 2,9 trilhões (R$ 14,5 trilhões) ao setor em 2025, marcando o 11º aumento anual consecutivo desde o fim da Guerra Fria, impulsionado pela multiplicação de conflitos e tensões internacionais.

Na América do Sul, os investimentos em defesa somaram US$ 56,3 bilhões (R$ 282 bilhões), alta de 3,4% em relação a 2024. Além do Brasil, a região teve como destaque a Guiana, que ampliou seus gastos em 16%, movimento atribuído às tensões com a Venezuela pela região de Essequibo. Já Colômbia e México aparecem, respectivamente, nas posições 29 e 30 no ranking global.

Gastos globais

No cenário mundial, Estados Unidos, China e Rússia concentram pouco mais da metade dos gastos militares, com um total combinado de US$ 1,48 trilhão. Mesmo com uma queda de 7,5% nas despesas americanas, atribuída principalmente à suspensão da ajuda à Ucrânia, o avanço foi sustentado por aumentos expressivos na Europa e na Ásia.

A Europa, incluindo Rússia e Ucrânia, foi o principal motor desse crescimento, com alta de 14% e um total de US$ 864 bilhões. O movimento reflete tanto a guerra em curso no território ucraniano quanto a pressão dos Estados Unidos para que países europeus assumam maior responsabilidade por sua defesa.

Entre os destaques europeus, a Alemanha elevou seus gastos em 24%, atingindo US$ 114 bilhões, enquanto a Espanha registrou aumento de 50%, superando pela primeira vez desde 1994 o patamar de 2% do PIB destinado à defesa.

Na Rússia, os investimentos cresceram 5,9%, somando US$ 190 bilhões, o equivalente a 7,5% do PIB. Já a Ucrânia ampliou seus gastos em 20%, chegando a US$ 84,1 bilhões, cerca de 40% de sua economia.

No Oriente Médio, apesar das tensões persistentes, o avanço foi mais modesto: alta de 0,1%, totalizando US$ 218 bilhões. Israel e Irã registraram queda nos gastos, ainda que, no caso iraniano, o recuo esteja associado à inflação elevada.

A região da Ásia-Oceania também apresentou crescimento relevante, com aumento de 8,5% e um total de US$ 681 bilhões, o maior ritmo anual desde 2009, impulsionado principalmente pela China e pela reação de países vizinhos a percepções de ameaça.

O relatório destaca ainda que o chamado “ônus militar” — a proporção do PIB mundial dedicada à defesa — atingiu o nível mais alto desde 2009.