Brasil adota cautela na ONU sobre Venezuela e evita citar Trump e Maduro em meio à escalada política interna

 

Fonte:


A diplomacia brasileira não espera efeitos práticos da reunião do conselho de segurança da ONU já que os Estados Unidos têm poder de veto. Mesmo assim, a ordem é se posicionar e reforçar o discurso condenando o ataque e em defesa da soberania dos países, principalmente da América Latina. Mas a cautela é a palavra da vez: há um cuidado no tom adotado e nas palavras usadas. Nem o chanceler Mauro Vieira nem o próprio presidente Lula citaram diretamente Donald Trump nem Nicolás Maduro. Primeiro porque há um entendimento no governo de que o regime ditatorial de Maduro é indefensável e o que o governo quer defender é a soberania e o multilateralismo. Segundo, porque o foco é não estremecer a relação com Donald Trump, principalmente, ainda na mesa de negociações com o governo norte-americano. Uma linha tênue, dizem fontes.

Enquanto isso, o debate tomou conta das redes com disputa de narrativas de ambos os lados. Em ano de eleição, o assunto Venezuela foi o pontapé no debate eleitoral. A direita associa Lula ao chavismo e lembra apoios explícitos do presidente a Maduro. O deputado Nikolas Ferreira chegou a comparar a situação com a Alemanha nazista. O governador Tarcísio de Freitas responsabilizou o governo Lula pelo ataque norte-americano.

Houve reação imediata no campo governista. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acusou ‘cinismo’ e afirmou que o governador tenta transferir a culpa ao Planalto após ter comemorado o tarifaço e defendido anistia a golpistas. Já o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, elevou o tom ao comparar estratégias políticas recentes:

‘O presidente Lula cometeu o mesmo erro que Eduardo Bolsonaro cometeu quando se abraçou com a bandeira norte-americana naquele episódio das tarifas. O presidente Lula defendeu a soberania, nós colocamos eles no corner. Gente, não foram um nem dois, foram vários bolsonaristas dizendo o seguinte: “aproveita, Trump, e invade o Brasil também”. Esse pessoal vai perder a mão, vão se agarrar com a bandeira norte-americana no momento em que vai crescer o debate aqui na América do Sul sobre a nossa soberania.’

A disputa já foi parar na justiça. O PT entrou com uma ação contra o deputado federal Paulo Bilynsky, do PL, que publicou um vídeo nas redes associando o PT ao narcotráfico internacional. Ele diz que Maduro foi preso por tráfico que financia o partido. Na ação, a legenda diz que o vídeo explora uma tragédia para difundir fake news, extrapola a liberdade de expressão e abusa da imunidade parlamentar. E cita que o tema ganha gravidade em contexto pré-eleitoral. Por isso, pede a remoção do vídeo e a responsabilização civil do deputado.