O governo de Botsuana autorizou o abate de 23 elefantes nesta semana como parte das celebrações dos 60 anos de independência do país, provocando críticas de organizações de proteção aos animais, conservacionistas e de um ex-presidente, segundo o jornal The Independent e a agência de notícias AP. As autoridades afirmam que a carne dos animais será destinada a comunidades rurais e defendem a medida como parte da estratégia de gestão da população de elefantes e de redução dos conflitos com moradores. Vídeo: Passageiro filma colisão de carro contra poste enquanto amigo dirigia a 140 km/h na Argentina Veja também: Macacos se espalham por ruas, mordem homem e avançam contra carros em cidade turística no Japão As licenças de caça foram distribuídas entre diferentes distritos do país, que receberam parcelas da cota total. A iniciativa ocorreu durante as comemorações do aniversário da independência de Botsuana em relação à Grã-Bretanha, celebrado na quarta-feira. O governo também autorizou o abate de dezenas de antílopes durante as festividades. País tem a maior população de elefantes Botsuana abriga cerca de 130 mil elefantes, a maior população desses animais entre os países. Os elefantes-da-savana africana, porém, são classificados como ameaçados de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O país mantém cotas anuais para a caça controlada de elefantes. Dependendo do ano, a quantidade autorizada varia de cerca de 200 a mais de 400 animais. A política é defendida pelo governo como uma forma de controlar o crescimento da população e reduzir os conflitos entre animais e comunidades. Botsuana revogou em 2019 uma proibição à caça de elefantes, decisão tomada em grande parte em razão do aumento da população da espécie. Carne será destinada a comunidades rurais A decisão desta semana foi defendida por Dimakatso Ntshebe, vice-diretor do departamento governamental de vida selvagem e parques nacionais. — A conservação da vida selvagem deve trazer benefícios significativos para as comunidades que vivem ao lado dos animais e contribuem para a sua proteção — afirmou. O governo mantém ainda uma política de indenização para moradores afetados por conflitos com animais selvagens. Centenas de incidentes são registrados todos os anos. Elefantes podem destruir plantações e estruturas utilizadas por agricultores e, em alguns casos, ferir ou matar pessoas. O conflito entre comunidades e animais selvagens é um problema enfrentado por diversos países africanos, incluindo a vizinha África do Sul, que também adota cotas para a caça de elefantes. Organização critica abate A Sociedade de Proteção aos Elefantes de Botsuana classificou a decisão como imprudente e alertou para possíveis consequências sobre o comportamento das manadas. — Quando um elefante é abatido, os outros ficam na defensiva — afirmou a organização. Botsuana também é um dos principais destinos de turistas interessados em observar animais selvagens, fazendo com que a preservação da fauna tem papel importante na atividade turística do país. Ex-presidente também se opõe Agora, o ex-presidente Ian Khama, que governou Botsuana entre 2008 e 2018 e atualmente ocupa uma posição de liderança tradicional como chefe regional, também criticou a medida. Para Khama, a autorização para o abate durante as celebrações nacionais cria a "expectativa" de que elefantes sejam mortos novamente em futuros eventos do país.
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Botsuana autoriza o abate de 23 elefantes e recebe críticas de sociedades de proteção aos animais
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