Plural, diverso e transgressor. Na temporada de desfiles internacionais, que mostraram as coleções de verão 2027, o jeans usou e abusou do maximalismo têxtil e de aplicações, lavagens e revestimentos.
Como um mutante, revelou, novamente, um mundo de possibilidades: ganhou modelagem volumosa com efeito desgastado na Balenciaga; veio 100% reciclado e com patchwork à la década de 1970 na Stella McCartney; e com o acabamento de cobra resinada na Matières Fecales. Entre outros muitos exemplos.
A Damyller aposta em bordados Hernique Falci
Para a coordenadora de Design de Moda do Istituto Europeo di Design (IED) do Rio, Yamê Reis, há uma “construção e reconstrução” das peças nessa temporada. “Na Balenciaga, a modelagem é bem ampla com lavagem vintage, irregular.
Há sobreposições de jeans, que criam efeito, em alusão ao upcycling”, diz. “Patchworks de pedaços claros e escuros, como fez Gabriela Hearts, também estão em alta.
O que predomina é uma versão vintage destroyed que está sendo usado com peças de alfaiataria”, emenda. jeans Colcci
Reprodução do Instagram Diretora de criação da Cantão, Telma Azevedo vê uma saída do “comum”.
“É quase como se as marcas estivessem se servindo do repertório imagético do jeans para cada uma dar sua própria interpretação”, diz. “É um jeans com mais expressão, com pedrarias e rasgos, e menos ‘qual é o shape da vez”, emenda.
Essa também é a impressão do editor de moda Lúcio Fonseca: “O denim virou algo surpreendente com superfícies resinadas e lavagens elaboradas”. Nessa equação, o artesanal é deixado de lado por bons motivos.
“Incluíam muita química. Foram substituídos por processos digitais e tecnológicos muito mais sustentáveis.
É uma evolução.”
O Globo