Bombardeios de Israel ao Líbano no Domingo de Páscoa deixam ao menos 11 mortos, incluindo um menino de 4 anos
Ao menos 11 pessoas foram mortas em ataques aéreos de Israel no Líbano neste Domingo de Páscoa, um dos dias mais violentos desde o início do conflito entre as forças de ocupação de Benjamin Netanyahu e o grupo Hezbollah. A ofensiva israelense elevou ainda mais o número de vítimas no país, em meio à escalada dos combates na região, iniciados por Israel e Estados Unidos em 28 de fevererio com ataques ao Irã.
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O episódio mais grave ocorreu na vila de Kfarhata, no sul do Líbano, onde um bombardeio de Israel matou sete pessoas, incluindo uma criança de 4 anos, segundo o Ministério da Saúde libanês. O ataque aconteceu poucas horas após o exército das forças de ocupação emitir uma ordem de evacuação para os moradores deixarem a área libanesa.
Várias famílias permaneceram no local. Logo após o amanhecer, mísseis atingiram a cidade, causando grande destruição e ampliando o número de mortos no ataque israelense. O governo de Benjamin Netanyahu tenta expandir as fronteiras anexando terras ilegalmente do país vizinho.
Na capital Beirute, outro bombardeio israelense atingiu o bairro de Jnah, no sul da cidade, deixando quatro mortos e 39 feridos. A região fica próxima a áreas consideradas redutos do Hezbollah. A destruição ocorreu num prédio residencial. Não há provas ou indícios de que haveria integrantes do grupo no local.
Os ataques ocorreram enquanto cristãos libaneses celebravam o Domingo de Páscoa, tornando a data um dos momentos mais dramáticos do conflito recente. Ao longo do dia, explosões foram ouvidas em diversas partes de Beirute, com aviões israelenses sobrevoando a cidade em baixa altitude. À AFP, uma moradora falou sobre esta prática das forças de ocupação:
— Mesmo durante nossas festividades, os aviões rompem a barreira do som só para nos assustar — lamentou Jenny Yazbek al-Jamal.
Segundo a mídia estatal, os subúrbios do sul da capital foram alvo de pelo menos oito bombardeios israelenses. Equipes de resgate trabalharam por horas entre prédios danificados, enquanto ambulâncias circulavam pelas áreas atingidas e colunas de fumaça eram vistas em diferentes pontos da cidade.
Mais cedo, o Exército libanês informou que um de seus soldados também foi morto em um ataque de Israel no sul do país, sem divulgar detalhes sobre as circunstâncias da ação.
A escalada do conflito também atingiu áreas estratégicas na fronteira. No sábado, Israel emitiu um alerta de evacuação para a passagem de Masnaa, entre o Líbano e a Síria, alegando que o local estaria sendo usado pelo Hezbollah para atividades militares e transporte de armas. Os ataques ocorrem sem evidências da presença de integrantes do grupo libanês. Há pouco mais de um mês desde o início dos confrontos, o número de civis mortos tem aumentado.
De acordo com o Ministério da Saúde, ao menos 1.461 pessoas já foram mortas em ataques de Israel no Líbano desde o início do conflito, em março. A guerra também provocou uma crise humanitária: mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, em um dos maiores deslocamentos internos do país em décadas. Israel usa como justificativa a criação de uma zona-tampão no território libanês como pretexto para anexação de terras do país vizinho ilegalmente.
Mesmo assim, dezenas de milhares de libaneses continuam no sul, incluindo cerca de 9 mil cristãos em cidades próximas à fronteira, que afirmam não ter intenção de abandonar suas casas apesar dos ataques israelenses.
(Com La Nacion, AFP, Reuters e ANSA)
