Entenda como tripulante de caça americano abatido no Irã passou 40h escondido antes de ser resgatado
Em corrida contra o tempo, o oficial da Força Aérea americana cujo caça foi abatido no Irã na última sexta-feira esperou 40 horas para ser resgatado pelas forças de Operações Especiais dos Estados Unidos. Durante o longo período de espera, o militar, que estava ferido, escalou mais de 2 mil metros e se escondeu na fenda de uma montanha após se ejetar do F-15E, aeronave atingida pelas forças iranianas. O resgate do tripulante, um oficial de sistemas de armas, foi anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, neste domingo. Os detalhes da missão arriscada foram revelados por fontes militares a veículos de imprensa como o New York Times. Segundo Trump, não houve baixas americanas durante a operação e o oficial foi resgatado com "ferimentos, mas ficará bem".
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No final de sábado, comandos da Equipe 6 dos SEALs, a unidade de elite da Marinha americana, resgataram o oficial de sistemas de armas em uma operação que envolveu centenas de soldados de operações especiais e outros militares atuando em território inimigo, de acordo com autoridades dos EUA.
Dois dos aviões destinados a transportar o coronel para um local seguro ficaram presos em um aeroporto abandonado na província de Isfahan, no sul do Irã, que as Forças Armadas americanas usaram como base para a operação de resgate, e tiveram que ser destruídos para evitar que caíssem em mãos iranianas. As forças americanas, então, utilizaram outros três aviões para levar o oficial para fora do território iraniano.
Como funcionou a operação de resgate?
Na última sexta-feira, após ejetar-se do F-15E, o oficial escondeu-se numa fenda em uma região montanhosa do território do Irã. Ele conseguiu escapar das forças iranianas por mais de 24 horas, chegando a escalar uma crista de 2.100 metros mesmo com ferimentos na perna, segundo uma autoridade militar dos EUA. Inicialmente, ainda de acordo com a fonte, os Estados Unidos desconheciam sua localização, mas a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) encontrou seu esconderijo. Especialistas comentaram à imprensa que o coronel americano se baseou num treinamento específico para este tipo de cenário, chamado de "Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga" (SERE).
Aeronaves americanas lançaram bombas e abriram fogo contra comboios iranianos para mantê-los afastados do local onde o aviador estava escondido. Comandos americanos também dispararam suas armas para manter as forças iranianas longe do local do resgate enquanto estas convergiam para o aviador, mas não entraram em confronto armado com os iranianos.
“Este bravo guerreiro estava atrás das linhas inimigas nas traiçoeiras montanhas do Irã, sendo caçado por nossos inimigos, que se aproximavam cada vez mais a cada hora”, disse Trump no Truth Social.
Em entrevista ao jornal britânico The Sun, o ex-piloto de helicóptero de ataque da Força Aérea Real Britânica e especialista em segurança, Mikey Kay, ressaltou que as 40 horas de busca pelo militar dos EUA foram “uma corrida contra o tempo e literalmente cada segundo contava". "Com o passar do tempo, a probabilidade de sucesso diminui exponencialmente", acrescentou Kay.
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O Irã atingiu o jato na última sexta-feira, no sudoeste do país, tornando-se o primeiro caso conhecido de uma aeronave de combate americana abatida em território hostil desde o início da guerra, há mais de um mês. Foi um revés de grande repercussão para o governo Trump, que repetidamente buscou demonstrar a supremacia aérea americana no conflito.
Os dois tripulantes do avião, um F-15E Strike Eagle, conseguiram ejetar-se, segundo as autoridades militares americanas. O piloto foi resgatado horas depois, e as autoridades iniciaram uma busca urgente pelo outro tripulante.
As autoridades iranianas chegaram a prometer uma recompensa pela captura do oficial americano. A televisão estatal iraniana, por exemplo, convocou moradores a capturar o “piloto inimigo” vivo e entregá-lo ao Exército ou à polícia local, oferecendo uma recompensa de US$ 60 mil (cerca de R$ 310 mil). Imagens mostraram um grupo de homens agitando bandeiras iranianas e vasculhando o terreno acidentado em busca do americano abatido.
Entre as dezenas de aeronaves mobilizadas para a missão de resgate, estavam dois AC-130, helicópteros de ataque MH-6 “Minibird”, A-10 Warthogs projetados especificamente para apoio aéreo aproximado e um MQ-4 Reaper sobrevoando a área.
Uma série de equipes das Forças Especiais em helicópteros HH-60W Jolly Green II voou para o local do alvo confirmado, incluindo comandos do SEAL Team 6 da Marinha, a lendária unidade que matou Osama Bin Laden em 2011.
“Eles têm veículos com radar, cães, drones, sistemas de mísseis terra-ar e tropas que provavelmente estarão carregando sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS). As forças iranianas chegaram a cerca de três quilômetros do oficial americano. É possível percorrer três quilômetros em 60 segundos de helicóptero", explicou Kay.
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As forças iranianas apertavam o cerco enquanto a CIA lançava campanhas de desinformação para ganhar tempo e resgatar o coronel, espalhando rumores pelas redes locais de que o piloto já havia sido capturado e retirado da área em um comboio terrestre. A tática, conhecida como “recuperação assistida não convencional”, visava despistar as equipes de busca e interromper a caçada humana coordenada. Enquanto isso, os agentes trabalhavam freneticamente para localizar a posição exata do militar, mas a posição precária do aviador ferido dificultava sua localização.
Ao subir a montanha, ele tentou ganhar altura para ativar um dispositivo de geolocalização que permitiria às forças americanas encontrá-lo com maior rapidez. No entanto, a posição dentro da fenda prejudicou o alcance do sinalizador. Apesar disso, a CIA possui uma capacidade específica para geolocalizar agentes fora do alcance do sinalizador, e eles conseguiram retransmitir as coordenadas para o comando à medida que a janela de resgate se fechava. Assim que sua posição foi finalmente confirmada, a missão se transformou em um resgate em combate em grande escala sob fogo inimigo.
Jatos e helicópteros de ataque abriram caminho através das montanhas, atentos aos combatentes iranianos armados com mísseis antiaéreos portáteis. Enquanto os helicópteros sobrevoavam a área em baixa altitude, conseguiram pousar brevemente e liberar um grupo de militares.
Em seguida, confirmaram a identidade do oficial por meio de um processo que provavelmente incluiu pelo menos uma pergunta baseada em informações de seu Relatório de Pessoal Isolado (ISOPREP), cuja resposta só ele saberia. Após a confirmação, ele foi levado a bordo do helicóptero e transportado para o Kuwait para tratamento médico.
Numa reviravolta final de tirar o fôlego, dois aviões de transporte que participavam da operação ficaram atolados na areia em uma base aérea remota no Irã. Três outros aviões tiveram que ser acionados para resgatar as tripulações, e soldados das Forças Especiais destruíram as aeronaves acidentadas para evitar que informações sensíveis caíssem em mãos iranianas.
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Auxílio de Israel
Uma autoridade da Segurança israelense disse à agência Reuters que Israel forneceu apoio de inteligência a Washington para a operação, interrompendo seus próprios ataques na área para facilitar a missão.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou Trump pela operação, afirmando que ela "reforça o princípio sagrado: ninguém é deixado para trás".
— Este é um valor compartilhado, demonstrado repetidas vezes na História de nossos dois países — disse o premier. — Todos os israelenses se alegram com o incrível resgate de um bravo piloto americano pelos destemidos guerreiros da América. Isso prova que, quando as sociedades livres reúnem sua coragem e sua determinação, elas podem enfrentar obstáculos aparentemente insuperáveis e vencer as forças das trevas e do terror.
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Mortos na operação
Trump saudou o resgate como prova de que as defesas iranianas haviam sido gravemente danificadas, senão destruídas. “O fato de termos conseguido realizar ambas as operações sem que um único americano fosse morto ou sequer ferido prova, mais uma vez, que alcançamos domínio e superioridade aérea esmagadores sobre o espaço aéreo iraniano”, escreveu ele.
Segundo fontes iranianas, três membros da Guarda Revolucionária Iraniana foram mortos durante a operação de resgate.
Além disso, a agência Tasnim informou que os ataques durante a operação de resgate deixaram cinco mortos, sem especificar se eram civis ou militares. "Cinco pessoas foram martirizadas durante o ataque na região de Kuh-e Siah", na província de Kohgiluyeh e Boyer Ahmad, escreveu a agência, citando uma autoridade provincial.
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Aeronaves americanas abatidas
O comando central do Exército iraniano, Jatam al Anbiya, afirmou que, durante a operação de resgate das Forças Armadas dos EUA neste domingo, três aeronaves americanas "foram atingidas" e ficaram "em chamas", acrescentando que a missão de Washington "fracassou".
Destroços e restos de aeronaves alvejadas no centro do Irã
AFP/Guarda Revolucionária do Irã via Sepah News
— Os esforços desesperados do inimigo para resgatar seu piloto de caça abatido fracassaram graças às bênçãos e à assistência divina de Deus Todo-Poderoso, bem como às ações oportunas e às operações conjuntas das forças iranianas — disse Khatam al-Anbiya, porta-voz do Jatam al Anbiya.
A mídia estatal exibiu imagens de destroços carbonizados espalhados em uma área desértica, ainda com fumaça.
(Com New York Times)
