Bolsonaro recomenda cautela a Flávio sobre especulação de ministérios e sucessão no Congresso, dizem aliados

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro teria recomendado ao filho Flávio Bolsonaro (PL), segundo aliados, cautela com as articulações políticas na reta final da campanha presidencial, especialmente em relação à formação de um eventual governo e às disputas pelo comando do Congresso.

Interlocutores ouvidos pelo GLOBO afirmam que, durante a visita à casa do pai nesta terça-feira, o candidato ouviu conselhos para evitar desgastes desnecessários antes do segundo turno, quando enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A preocupação envolveria tanto a antecipação de negociações por cargos quanto as movimentações de aliados e pessoas próximas ao senador. Entre os assuntos que teriam sido abordados, segundo pessoas próximas ao senador, estão as articulações para a sucessão de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), atuais presidentes da Câmara e do Senado.

Com o crescimento da bancada do PL e a adesão de novos partidos à candidatura, as negociações para 2027 já começaram a movimentar os bastidores. A avaliação é que um posicionamento antecipado de Flávio nessas disputas poderia criar resistências entre aliados e dificultar a construção de apoios para a campanha. A mesma preocupação se estenderia à montagem de um eventual ministério. Embora nomes já circulem entre integrantes da campanha para ocupar postos em um possível governo, interlocutores relatam que Bolsonaro vê riscos na antecipação dessas discussões.

O receio é que a exposição prematura de possíveis indicados provoque disputas internas, desgaste nomes que sequer foram formalmente considerados e transmita a impressão de que Flávio já considera a vitória garantida. Outro ponto mencionado por pessoas a par das conversas é a necessidade de atenção às movimentações de aliados e integrantes do entorno do candidato. A recomendação teria sido feita diante da possibilidade de que declarações e articulações políticas acabem provocando atritos na reta final da disputa.

Ao deixar a residência do pai, Flávio reconheceu que recebeu orientações, mas evitou detalhar o conteúdo da conversa. A visita ocorreu após o fim de uma suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, ao autorizar a retomada dos encontros, manteve a proibição de reuniões com finalidade político-eleitoral. — Não é que não pode haver conversas políticas. Como é que ele pode proibir que eu converse com meu pai? Conversei com ele, está bem-humorado, está satisfeito com o trabalho que vem sendo feito, está esperançoso de que o Brasil vai mudar. É óbvio que ele dá algumas dicas. Só não vou ficar externando porque realmente pode ser interpretado de alguma forma maldosa e acabar sendo revertido contra ele — afirmou. A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 também teria entrado na conversa. Flávio vinha classificando a iniciativa defendida pelo governo Lula como oportunista e eleitoreira e alertando para o risco de desemprego e aumento dos custos para as empresas. Nesta terça-feira, após o encontro, o candidato anunciou que apoiará a PEC, prevista para ser analisada pelo Senado na quarta-feira, embora tenha mantido a defesa de um modelo alternativo baseado na remuneração por hora trabalhada. — A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1. Só que a gente defende algo ainda melhor — disse. As conversas ocorrem em um momento em que Flávio tenta consolidar os apoios conquistados desde o primeiro turno e ampliar sua base eleitoral. Com a adesão de Republicanos, Podemos, Novo e da federação União Progressista, a campanha passou a reunir partidos com interesses distintos nas negociações para 2027.

Entre aliados, a avaliação é que antecipar disputas por espaços em um eventual governo ou pelo comando do Congresso pode provocar desgastes antes da definição da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro.

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