‘Bolsonaro ligou para um paranaense em 2022, e não foi o Ratinho, fui eu’, diz Moro ao rebater acusação de trair ex-presidente

‘Bolsonaro ligou para um paranaense em 2022, e não foi o Ratinho, fui eu’, diz Moro ao rebater acusação de trair ex-presidente - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Líder das pesquisas para o governo do Paraná, o senador Sergio Moro (PL) busca consolidar o apoio dos eleitores de direita e afirma que, em 2022, foi o único no estado a receber "uma ligação" do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-juiz tem reivindicado a relação com o bolsonarismo, movimento com o qual se reconciliou na última eleição após se afastar de forma ruidosa ao deixar o comando do Ministério da Justiça. Ao mesmo tempo, não se descreve como opositor da gestão do atual governador Ratinho Júnior (PSD), aprovada por 80% da população na pesquisa Quaest.

'O voto nos estados': Moro aposta em acusações da Lava-Jato contra PT, que revida com excessos cometidos pela força-tarefa Quaest: Moro lidera para governo do Paraná com 37%, Requião Filho tem 21% e sucessor de Ratinho Junior tem 15% O senador tem relembrado ainda a atuação como juiz da Operação Lava-Jato e usado a discussão sobre enfrentamento à corrupção como bandeira a partir dos desdobramentos do caso Master e da crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF). Em relação às acusações contra o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Moro considera que o aliado "apresentou as explicações dele e jamais se opôs a que houvesse investigações". Veja a seguir os principais pontos da entrevista: O senhor critica Alexandre de Moraes pelo envolvimento no Master, mas apoia Flávio Bolsonaro, também investigado. Há dois pesos e duas medidas? Certamente não. Precisamos ter investigação e apuração. Assinei, assim como todos da da oposição, as comissões parlamentares de inquérito para abertura de investigação do Master. Flávio apresentou as explicações dele e jamais se opôs a que houvesse investigações. Então, se ele precisar dar explicações ulteriores, que isso seja feito. É diferente a situação em que vemos pessoas que se acham acima da lei. Há acusações pela oposição de aparelhamento da PF no governo Lula, mas o senhor fez acusação parecida contra o governo Bolsonaro, do qual foi ministro. Por que voltou a ser aliado? Em 2022, eleito senador, fui convidado no segundo turno pelo presidente Bolsonaro para estar com ele para que derrotássemos Lula. Eu sabia que o novo governo Lula seria uma tragédia moral e econômica, então coloquei minhas divergências de lado. A população paranaense sabe que, no segundo turno de 2022, Bolsonaro ligou para apenas um paranaense para ajudá-lo a derrotar Lula, e esse paranaense não foi o Ratinho. Fui eu. O senhor chegou a exibir uma propaganda, que depois o TRE derrubou, em que tentou se colocar como aliado de Ratinho. Por que concorrer se ele já tem um candidato? Não sou adversário do Ratinho. Vamos dar continuidade a bons projetos do governo. Mas acreditamos que o Paraná tem problemas a serem resolvidos. Há uma insatisfação generalizada com a Copel, que foi privatizada. Não sou contra a privatização, mas o fato é que aumentaram as quedas de energia, de fornecimento de luz e a demora de religação. A mão forte do governador tem que cobrar providências. Nosso projeto é colocar o Paraná num nível de excelência e fazer do estado o mais seguro da federação. Hoje, nossos indicadores de violência são os piores do Sul. A Saúde também está com uma série de problemas, sofre de subfinanciamento histórico. A violência só é citada por 15% como principal problema do estado, segundo pesquisa Quaest. Não é forçado colocar a pauta como protagonista da campanha e propor um presídio de segurança máxima estadual, sendo que já existe um nacional no Paraná? Acho que tem que falar isso para as vítimas dos crimes no Paraná, tanto de assassinatos como de crimes patrimoniais. Nós vamos criar forças-tarefas ao estilo da Lava-Jato para desmantelar organizações criminosas. Queremos, por exemplo, aprofundar a experiência de câmeras de vigilância privadas e públicas interligadas à inteligência artificial e reconhecimento facial para deixar nossas cidades mais seguras. Replicar uma experiência que tem sido muito positiva, a do Smart Sampa da cidade de São Paulo. É só circular nas ruas das cidades grandes do Paraná que você vai encontrar gente vendendo drogas à luz do dia. Não existe essa história de que a segurança não é uma demanda do nosso estado. O senhor também tem como proposta a criação de uma agência estadual anticorrupção para fiscalizar a administração pública. Não é uma atribuição que já existe via Controladoria e Ministério Público? A experiência internacional de enfrentamento à corrupção mostra a importância da criação de agências autônomas independentes, com recursos orçamentários suficientes para poder enfrentar o problema da corrupção. Seria um órgão dentro do próprio governo estadual, com características específicas, que iria reunir as atribuições da Controladoria, mas iria além, para prevenir qualquer espécie de desvio, identificar fraudes em licitação, identificar enriquecimento ilícito de servidores públicos para não deixar acontecer e, se acontecer, tomar as providências administrativas logo de imediato. É claro que esse é um órgão administrativo, e a parte investigativa criminal seria repassada depois à polícia ou ao Ministério Público, a depender do caso.

Adversários dizem que o senhor não tem capacidade para falar de problemas reais num estado com 399 municípios. Faltar a debates não passa recibo de que não tem essa capacidade? Tenho participado de todas as entrevistas, inclusive esta. Ratinho não foi a nenhum debate em 2022. Meus adversários são praticamente desconhecidos e querem muitas vezes me utilizar para ficarem mais conhecidos. Para quem foi juiz da Lava-Jato, ministro da Justiça e Segurança Pública, senador por quatro anos, falar em despreparo é um argumento pouco convincente. Há uma possibilidade de o senhor ser eleito governador e Lula continuar presidente. Está disposto a sentar cara a cara com ele nesse eventual cenário? O que vejo nas últimas pesquisas é uma virada de Flávio Bolsonaro. Mas, se ele (Lula) for o presidente, nós não vamos aceitar nenhuma discriminação em relação aos paranaenses. Ele é presidente, eu seria governador, são dois cargos importantes e as relações são institucionais. Agora, jamais vou ter qualquer relação de amizade com ele, evidentemente, porque sabemos o mal que ele fez para o nosso país até hoje.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo