As bolsas europeias encerraram a segunda-feira (19) em forte queda, após o índice Stoxx 600 ter encerrado a semana anterior com o melhor desempenho desde o fim de junho. Os mercados no continente são penalizados pelo avanço dos juros, sobretudo na França, que enfrenta uma das maiores revoltas populares dos últimos anos, frente aos altos custos de vida e à deterioração dos serviços públicos. A ansiedade com relação à temporada de balanços também contribuiu para o ajuste de posições.
O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,87%, aos 639,10 pontos, o DAX, de Frankfurt, caiu 1,18%, aos 25.319,77 pontos; o FTSE 100, de Londres, cedeu 1,08%, aos 10.764,69 pontos, e o CAC 40, de Paris, perdeu 1,11%, aos 7.894,31 pontos.
As companhias francesas foram algumas das mais afetadas na sessão. As ações dos bancos BNP Paribas e Société Générale caíram 2,48% e 3,41%, respectivamente. A varejista Carrefour recuou 2,17%, e a companhia de luxo LVMH perdeu 1,76%.
A disparada dos juros dos títulos soberanos franceses (OATs) contaminou os rendimentos de outras economias do continente, como Alemanha e Reino Unido, penalizando os ativos de risco na região. A França se depara com um cenário adverso à frente, em meio às crescentes preocupações com a aprovação do Orçamento até dezembro, no momento em que as eleições de 2027 já estão no radar dos operadores.
“O risco soberano europeu volta a ganhar destaque, uma vez que preocupações fiscais elevaram os ‘spreads’ franceses aos patamares mais altos em uma década, com sinais incipientes de contágio surgindo em outros mercados”, observa a equipe de pesquisa econômica do Goldman Sachs.
Há, também, um certo grau de ansiedade com relação à temporada de balanços. A fabricante de softwares SAP, o banco britânico Barclays e a Nokia divulgarão resultados nesta semana.
Euronext NV Paris Exchange; bolsas da Europa; bolsas europeias Cyril Marcilhacy/Bloomberg
Valor