Depois de um longo período em que investidores, principalmente fundos locais, se afastaram da bolsa, a visão da SulAmérica Investimentos é que essa classe de ativos domésticos é que tem maior espaço de valorização, no caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Quem explica é o CEO da casa, Marcelo Mello.
"O mercado de juros e crédito viu bastante fluxo nos últimos anos, mas a bolsa conviveu com um [investidor] local bastante negativo e com o gringo saindo um pouco no mesmo período. Além disso, estamos há mais de quatro anos sem IPO [aberturas de capital]", diz. "A bolsa está com uma demanda reprimida por fluxo e por investidor. Por isso, talvez o ativo com maior espaço para valorização pelo tempo que ficamos com o mercado ‘lateralizado’ seja a renda variável hoje”, resume.
A razão é que uma das principais variáveis para a bolsa é o nível da taxa de juros, que estava sendo projetado num patamar muito alto na curva de juros. "Agora, o 'price target' [preço-alvo] da bolsa vai mudar bastante com o recuo dos juros futuros”, diz o executivo.
Com a reprecificação que poderia ser gerada no mercado no caso de uma vitória de Flávio, Mello estima que o múltiplo preço sobre lucro do Ibovespa poderia sair dos atuais 8,5 vezes para algo em torno de 12 vezes.
Atualmente, a maior posição da casa em renda variável local está em opções de ações de estatais, mas a gestora também possui uma alocação direcional em Ibovespa. A SulAmérica Investimentos detém ainda uma alocação comprada (que aposta na valorização) em real contra o dólar, além de operações de arbitragem em juros.
"O Brasil está tão descontado há tanto tempo que não me surpreenderia se víssemos movimentos adicionais como o que vimos na segunda-feira, à medida que os investidores forem aumentando a probabilidade de vitória do Flávio", disse.
"Com o Congresso mais à direita, principalmente o Senado, ficou mais difícil a chance de reversão de uma vitória de Flávio no segundo turno. Aumentou bastante a probabilidade de o Flávio ser eleito no segundo turno e ter apoio para aprovar medidas fiscais", resumiu o executivo, ao destacar que a casa passou a prever uma chance de 70% de vitória do candidato bolsonarista após o resultado do primeiro turno.
Embora Flávio ainda não tenha apresentado nenhuma medida fiscal, o executivo da SulAmérica afirma que o mercado prefere dar o benefício da dúvida ao candidato do PL com a "esperança de que haja uma ortodoxia fiscal com a alternância de poder". "O mercado já sabe como é o mandato do incumbente [Lula] e as dificuldades que ele teria para caminhar com reformas agora. Também acho que, se a ideia de aprovar o mandato único [reeleição] for para frente, isso pode ser uma ferramenta para buscar o apoio do Congresso para reformas necessárias." Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos Divulgação
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