Após o tombo de segunda-feira, o Ibovespa corrigiu a rota nesta terça-feira, com uma queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos. No caso do dólar, o movimento foi diferente: a moeda caiu 0,97%, cotada a R$ 5,350.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o mercado financeiro brasileiro teve um pregão marcado por acomodação e ajuste de posições após a forte turbulência do dia anterior. O Ibovespa chegou a ensaiar uma recuperação nas primeiras horas da manhã, mas perdeu fôlego ao longo do pregão.
Em contrapartida, o câmbio operou em terreno negativo durante a maior parte do dia, proporcionando alívio ao mercado. - O mercado segue em compasso de espera por novas sinalizações do novo governo em relação aos nomes para o Ministério da Fazenda e às propostas que contemplem o ajuste fiscal.
Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, acredita que os investidores ainda estão digerindo a forte queda da Bolsa na véspera e estancando as feridas de quem estava posicionado na compra, apostando em um cenário de alta. O sentimento ainda é de cautela e análise.
Entre as maiores altas do dia, ficaram Magazine Luiza (8%), B3 (2,19%) e Tenda (10%). Entre as baixas, Vale (-2%) e Gerdau (-2,7%).
- Como tiveram grandes perdas no pregão de ontem, os investidores enxergaram uma oportunidade de ir às compras e tentar ‘surfar’ um movimento de repique de alta. Já as empresas que fecharam em baixa têm correlação direta com o índice de Dalian, na China.
O minério de ferro se desvaloriza mundo afora, e as empresas acompanham esse movimento. Atrelada a isso, a desvalorização momentânea do dólar faz as cotações caírem.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 8,25%, cotado a R$ 5,403 na venda. A reação do mercado à reeleição do presidente Lula levou a B3 a acionar o circuit breaker.
Para um executivo de uma consultoria econômica, que prefere não se identificar, o mercado precificou errado o cenário eleitoral. Ele contou que, nas últimas semanas, vinha discutindo com clientes que acreditavam cegamente que Flávio Bolsonaro faria o ajuste fiscal prometido.
- Eles me diziam que haveria estelionato eleitoral, sim, mas que o candidato cumpriria as promessas de ajustes feitas ao mercado. O economista afirma que, ao longo da campanha, ficou claro que nenhum dos dois candidatos apresentou um compromisso firme com o ajuste fiscal.
Para ele, o governo Lula parece não entender a gravidade e a urgência da dívida pública. Após o resultado eleitoral, o presidente precisará deixar mais claro seu compromisso com o equilíbrio fiscal.
Uma sinalização positiva, diz, seria parar de tratar as metas fiscais com descontos, ou seja, excluindo determinadas despesas do cálculo do cumprimento da meta.
O Globo