Roberto Menescal tem um compromisso especial nesta segunda-feira (7): o músico sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio como convidado de Luísa Sonza, em sua segunda participação no festival e agora como o artista mais velho a se apresentar na edição. Aos 88 anos, ele vive uma fase de agenda intensa e revela ao GLOBO-Barra que tem feito, em média, cinco shows por semana — um ritmo, afirma, não alcançado nem mesmo nos períodos mais movimentados de sua carreira. Entre apresentações com diferentes parceiros e projetos, ele segue circulando por palcos de todo o país, mas conta que de vez em quando se ressente da falta de tempo para si. Ao lado do VillageMall: Multiplan construirá complexo residencial e comercial na Barra O corpo sarado é consequência: Academias se tornam centros de wellness e aliam exercício físico a atividades de saúde e bem-estar Um dos precursores do gênero, o músico diz que sua participação no Rock in Rio simboliza a aproximação da bossa nova com as novas gerações. O artista conta que tem sido procurado por artistas cada vez mais jovens e se surpreende com as releituras feitas para canções que atravessaram décadas. — Eles estão fazendo coisas diferentes e atuais nas nossas músicas. É como se fosse uma nova música mesmo, mas com as canções já existentes. Estou muito feliz com isso — afirma ele, que diz não ser saudosista. — Eu sempre falo: tenho saudade do futuro; o passado já fiz. A diferença de gerações será justamente um dos ingredientes especiais do encontro com Luísa Sonza, acredita Menescal, que o encara como um sinal de permanência. — Isso é muito bom. Eu digo: “Opa, então estou aí, né? Estou vivo” — brinca. Câmeras 24 horas: Linha Amarela terá fiscalização eletrônica nas pistas automáticas de pedágio Para Menescal, a aproximação das novas gerações com a Bossa Nova não significa apenas uma volta ao passado. O músico se surpreende com a maneira como artistas mais jovens têm revisitado as canções e dado a elas novas leituras. Ao ouvir alguns desses arranjos, conta que chega a pensar: "Poxa, bobeamos, por que a gente não fez isso?".
— Eu só faço coisas que acho que posso fazer bem. Não quero fazer show por fazer show. Estou fazendo muita coisa com muita gente legal, e quero muito trabalhar com novas gerações — explica. Além do Rock in Rio, Menescal segue em setembro com uma série de apresentações ao lado de Cris Delanno e do percussionista Reginaldo Vargas pelo projeto Sesc Pulsar, que passará por Valença, Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis. Nos meses seguintes, a agenda ainda prevê encontros com Danilo Caymmi e Patty Ascher, além de outros projetos ligados à bossa nova. Com tanta bagagem, ele diz que estar num festival onde milhares de pessoas se reúnem para assistir (em tese) a shows de rock não o assusta. Revela, inclusive, manter um critério básico para suas apresentações: só aceita trabalhos com os quais acredita que pode contribuir de verdade. 'Estuda, se dedica e acredita': JP, primeiro DJ com Down a tocar no Rock in Rio, se prepara para fazer história O ritmo atual contrasta com o que o próprio músico imaginava para essa fase da vida. Menescal diz que nunca planejou chegar aos 80 anos com uma agenda tão disputada e diz que a procura hoje é maior do que ele consegue atender. — Eu achava normal a gente passar pela vida e surgirem novas coisas. Mas a vida está me mostrando mais do que isso. Estou sendo procurado um pouquinho mais do que eu esperava e do que eu posso — afirma ele, sem no entanto, ter planos de parar.
O Globo