BMS vai compartilhar risco de remédio com A.C. Camargo

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Fonte da notícia: Valor Valor

A biofarmacêutica americana Bristol-Myers Squibb (BMS) firmou seu primeiro acordo de compartilhamento de risco em oncologia no Brasil com o A.C.Camargo Cancer Center. O arranjo abrange dois medicamentos de alto custo indicados para o tratamento de câncer de pulmão.

O câncer de pulmão não é o de maior incidência no país, mas figura como o terceiro de maior ocorrência entre homens e o quarto entre mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).. Os remédios cobertos pelo acordo são o ipilimumabe e o nivolumabe, imunoterápicos que buscam aumentar a capacidade de combate ao câncer do próprio sistema imunológico do paciente.

Os dois são indicados como primeira opção de tratamento para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, tipo mais comum dentro desta categoria de carcinoma. Sob o acordo, o laboratório americano reembolsará o hospital brasileiro com créditos para a troca por novos frascos dos medicamentos se o paciente em tratamento apresentar progressão da doença, evento adverso grave ligado aos remédios ou morrer durante o período de avaliação de 90 dias.

O arranjo não prevê devolução em dinheiro. “O modelo antigo, de entregar medicamentos cobrando apenas o preço de tabela, já não acredito mais nele”, disse ao Valor Christiano Silva, gerente-geral da BMS no Brasil.

“O objetivo principal não é necessariamente gerar economia pura e simples, mas dar previsibilidade e a certeza de que aquele investimento surtiu resultado. O grande ponto é diminuir o desperdício no sistema de saúde.”

Segundo a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o preço máximo do ipilimumabe de 50 miligramas praticado ao governo é de R$ 20 mil, e o do nivolumabe varia entre R$ 3,7 mil e R$ 22,6 mil para doses de 40 miligramas a 600 miligramas. “Não são medicamentos que custam milhões de reais a dose, mas o acumulado, por meses ou anos, passa dos milhões de reais”, afirmou Rafael Ielpo, diretor comercial e de marketing do A.C.Camargo.

Este já é o sétimo acordo de compartilhamento de risco assinado pelo hospital. Desde 2022, a instituição já tinha firmado seis parcerias com outras farmacêuticas: quatro com a suíça Roche; uma com a americana Pfizer; e outra com a uruguaia Adium.

O hospital planeja continuar expandindo a lista. “Se pensamos na realidade brasileira, ter seis ou sete acordos é muito pouco.

Se tivermos uma lógica onde pelo menos se paga pelo que efetivamente funciona, começamos a ter um caminho mais viável”, disse Ielpo. Também não deve ser o último acordo do tipo da BMS.

A farmacêutica tem cartas de intenção assinadas com o Einstein Hospital Israelita e a Unimed Porto Alegre, e já submeteu à Anvisa, a agência reguladora brasileira, sua primeira terapia celular CAR-T no país, com previsão de emissão para 2027. “Sabemos que esse é um tipo de terapia cuja jornada é depende e é muito influenciada por acordos como esse de risco compartilhado”, disse Silva.

No setor privado, esses acordos têm avançado com a renovação de parcerias em oncologia, mas o ganho de escala e o alcance de terapias mais complexas é um desafio. “A próxima fronteira deve ser a evolução para terapias avançadas, como celulares e gênicas, que envolvem contratos muito mais sofisticados e maiores desafios no acompanhamento dos pacientes”, disse Rubens Granja, sócio da área de saúde do TozziniFreire.

Já no setor público, disse, o cenário ainda é inicial e exige superação de gargalos como segurança jurídica, governança de dados e desenho contratual. “No SUS [Sistema Único de Saúde], estamos no começo, embora exista um acordo em execução que representa um marco”, afirmou, referindo-se ao arranjo com a Novartis, que prevê terapia gênica para atrofia muscular espinhal na rede pública.

“O primeiro desafio é a segurança jurídica, porque as regras de compras foram pensadas para pagar preço fixo por produto entregue, e não conforme o resultado. Sem uma base legal clara, o gestor fica exposto diante dos órgãos de controle”, completou Granja.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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