A Blue Origin planeja realizar múltiplos lançamentos por semana de seu foguete New Glenn até o final desta década, afirmou hoje um executivo da companhia, em meio a investimentos de bilhões de dólares em infraestrutura voltados a disputar o domínio de mercado de lançamentos espaciais exercido pela rival SpaceX.
A empresa espacial fundada por Jeff Bezos também planeja construir plataformas adicionais de lançamento e pouso na Flórida para o New Glenn, seu principal foguete orbital de carga pesada, cujas operações permanecem paralisadas após uma explosão ocorrida em maio na única plataforma de lançamento da companhia.
A Blue Origin já investiu mais de US$ 3 bilhões até o momento em seu complexo de produção e integração de foguetes na Flórida, que ocupa cerca de 12 hectares e emprega aproximadamente 5 mil trabalhadores, detalhou Ian Richardson, vice-presidente sênior de operações, em publicação no blog da empresa
Uma expansão de US$ 330 milhões nessas instalações fornecerá suporte à manufatura de uma variante de maior capacidade de carga, o New Glenn 9x4. As obras têm conclusão prevista para o verão de 2027 no hemisfério norte e viabilizarão uma produção anual de até 150 estágios superiores do foguete, acrescentou o executivo.
“Esses investimentos concentram-se em uma meta, criar capacidade para suportar mais missões, com maior confiabilidade e eficiência”, afirmou Richardson. “Olhando para a frente, essa infraestrutura foi desenhada para viabilizar múltiplos voos por semana até o término da década.”
A explosão do New Glenn em maio, ocorrida dias antes de um lançamento programado de satélites da Amazon, danificou severamente a base da empresa na Flórida, de onde o foguete de quase 100 metros de altura havia decolado três vezes desde sua estreia em 2025. O retorno dos voos do lançador está previsto para o início do próximo ano.
O voo anterior da companhia, realizado em abril, representou a primeira falha de missão do veículo espacial, quando um problema no segundo estágio inseriu um satélite do cliente AST SpaceMobile em uma órbita incorreta, fazendo com que o equipamento reentrasse e se desintegrasse na atmosfera terrestre.
A Blue Origin desponta como uma das principais operadoras de lançamento contratadas para posicionar a constelação de internet via satélite em desenvolvimento da Amazon, batizada de Leo, criada para concorrer diretamente com a Starlink, da SpaceX. O incidente de maio desarticulou o cronograma da gigante de tecnologia, agravando o gargalo global na oferta de lançamentos que tem deixado dezenas de operadoras de satélites em busca de capacidade no mercado.
A Blue Origin vem sofrendo forte pressão para reativar o New Glenn. O diretor-presidente da companhia, Dave Limp, trata a retomada como a principal prioridade, à frente de iniciativas como o contrato multibilionário firmado com a Nasa para construir o módulo de pouso lunar que levará astronautas de volta à Lua.
A SpaceX, de Elon Musk, a operadora de lançamentos mais ativa do planeta, executou 165 missões de seus foguetes Falcon no ano passado, transportando prioritariamente cargas próprias da rede Starlink. A meta de longo prazo de Musk é atingir centenas de lançamentos por ano por meio do Starship, veículo de nova geração da companhia.
A explosão do New Glenn em maio, ocorrida dias antes de um lançamento programado de satélites da Amazon, danificou severamente a base da empresa na Flórida Reprodução/YouTube/Blue Origin
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