Biotech aposta em nova terapia para evitar reganho de peso após uso de canetas emagrecedoras

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

A Alveus Therapeutics, empresa de biotecnologia com operações em Boston e Copenhague, anunciou na última segunda-feira (14) o início de um estudo clínico de fase 2 que vai testar uma nova terapia voltada a um problema cada vez mais discutido por médicos e pacientes: como evitar que o peso volte a subir após a interrupção de medicamentos como Ozempic e Wegovy. O estudo vai avaliar o medicamento experimental ALV-100 em cerca de 220 adultos com sobrepeso ou obesidade que já perderam ao menos 10% do peso corporal com o uso de semaglutida e alcançaram estabilidade. A proposta é verificar se a terapia consegue ajudar esses pacientes a manter os resultados no longo prazo. O anúncio reflete uma mudança de foco no mercado de tratamentos para obesidade. "O primeiro desafio era fazer os pacientes emagrecerem. O próximo é ajudá-los a sustentar essa perda de peso por anos, e não apenas por meses", afirmou Jacob Jeppesen, diretor científico da Alveus. Efeito rebote Os medicamentos conhecidos como agonistas de GLP-1, categoria que inclui semaglutida e tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos ao permitir perdas de peso que frequentemente chegam a 15% ou até 20% do peso corporal. Eles funcionam imitando hormônios produzidos naturalmente pelo organismo, aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite.

Mas os resultados costumam diminuir quando o tratamento é interrompido. Uma revisão sistemática publicada em março na revista científica eClinicalMedicine, analisou 48 estudos sobre o tema e concluiu que o reganho de peso ocorre de forma consistente após a suspensão desses medicamentos.

Segundo a pesquisa, os pacientes recuperam, em média, cerca de 60% do peso perdido um ano após o fim do tratamento. A tendência é que esse processo desacelere com o tempo, mas ainda assim, cerca de 75% da perda de peso inicial pode ser recuperada ao longo dos anos. Os pesquisadores também observaram que muitos dos benefícios metabólicos conquistados durante o tratamento começam a diminuir após a suspensão do medicamento. De acordo com a Alveus, o ALV-100 foi desenvolvido justamente para atuar nessa fase de manutenção. Trata-se de uma molécula que combina duas ações biológicas ligadas ao controle do apetite e do metabolismo, e que busca reproduzir parte dos benefícios obtidos durante o tratamento inicial, mas com foco específico na estabilidade do peso. O estudo terá duração de 24 semanas, e vai comparar diferentes doses do medicamento com placebo. O principal indicador analisado será a variação do peso corporal ao longo do período. Nova fronteira Embora ainda esteja em estágio experimental, a iniciativa da Alveus se insere em uma tendência crescente de desenvolvimento de estratégias pós-GLP-1 que tem impulsionado pesquisas em diferentes frentes. Uma delas é o desenvolvimento de medicamentos de manutenção. Uma pesquisa divulgada pela BBC em maio mostrou que o comprimido oral orforglipron, da Eli Lilly — farmacêutica que também desenvolveu e comercializa o Mounjaro —, ajudou pacientes que haviam interrompido as injeções de GLP-1 a preservar mais de 70% da perda de peso conquistada anteriormente após um ano de tratamento. No grupo que recebeu placebo, a preservação ficou entre 38% e 50%. Outra linha de investigação envolve procedimentos médicos. Um estudo apresentado no congresso Digestive Disease Week (DDW) 2026 avaliou uma técnica chamada resurfacing da mucosa duodenal, um procedimento endoscópico minimamente invasivo que renova a camada interna da primeira parte do intestino delgado. A hipótese é que essa "reinicialização" do intestino ajude a preservar os efeitos metabólicos conquistados com os remédios para perda de peso. Nos resultados preliminares, pacientes submetidos ao procedimento recuperaram significativamente menos peso após interromper o uso de tirzepatida do que aqueles que passaram por um procedimento simulado. *Com supervisão de Daniel Pinheiro Mais Lidas

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