A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque cibernético na quinta-feira 29, que resultou em um prejuízo de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões, na cotação atual), fazendo deste o maior roubo de tokens digitais já registrado. Especialistas apontaram a Coreia do Norte como a provável responsável pelo crime.
A empresa correu para bloquear os ativos afetados, tendo conseguido localizar cerca de US$ 3 bilhões até o momento. Não há atualizações sobre os US$ 3,3 bilhões restantes, mas a cofundadora da Binance, Yi He, afirmou que a companhia arcará com “todas as perdas decorrentes do ataque”.
A plataforma que permite comprar, vender e negociar ativos digitais conta com 335 milhões de usuários registrados globalmente e, segundo seu relatório anual de 2025, possui cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia. Coreia do Norte
Analistas atribuíram a ação a hackers apoiados pelo Estado norte-coreano. A Coreia do Norte possui um histórico de ataques cibernéticos envolvendo criptomoedas; segundo o FBI, o país esteve por trás do roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão em ativos virtuais da Bybit, uma corretora em Tóquio, no ano passado — episódio que, até então, ocupava o pódio de maior roubo de criptomoedas.
A TRM, empresa especializada em análise de criptoativos, apontou, com “alto grau de confiança”, que o ataque foi realizado pelo TraderTraitor, uma unidade de elite de hackers da Coreia do Norte. A Chainalysis, outra empresa do setor, também atribuiu o roubo ao grupo TraderTraitor.
Continua após a publicidade “Várias características do ataque coincidem com roubos anteriores vinculados à Coreia do Norte”, afirmou a TRM.
Analistas acreditam que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de hackear a Sony Pictures em represália contra A Entrevista, filme que satirizava o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Fundos congelados e investigação inicial
A Binance informou na noite de quinta-feira que todos os depósitos e saques foram “suspensos temporariamente”, enquanto sua equipe “conduz verificações de segurança, congela fundos e colabora com as autoridades”. Continua após a publicidade
“O valor pode continuar aumentando à medida que nossas equipes trabalham em estreita colaboração com as autoridades, os emissores, as empresas de inteligência de blockchain e parceiros do setor para rastrear e congelar ativos adicionais”, afirmou. + Irã movimentou bilhões de dólares em cripto na Binance para sustentar regime, revela jornal
Um comunicado da empresa no X (ex-Twitter) indicou que uma investigação inicial sugeria que o ataque envolveu um laptop comprometido pertencente a um “engenheiro de DevOps”, o que permitiu à parte não autorizada acessar um “contêiner de serviço” e executar transações de saque não autorizadas.
Continua após a publicidade “Não encontramos evidências de qualquer vazamento de chaves privadas de carteiras”, afirmou a Binance.
Paolo Ardoino, diretor da Tether, empresa que emite uma criptomoeda conhecida como USDT, disse que congelou quase US$ 1,6 bilhão “relacionados a um possível ataque à plataforma Binance”, enquanto Jeremy Allaire, que comanda a plataforma de criptomoedas Circle, acrescentou que sua empresa bloqueou mais de US$ 800 milhões em outra moeda digital, a USDC.
USDT e USDC são “stablecoins”, ou seja, moedas digitais cujo valor está atrelado a uma moeda tradicional, o dólar americano. Continua após a publicidade
Baque para criptomoedas Durante várias horas antes da confirmação do ataque pela Binance, analistas do setor apontaram que os hackers haviam conseguido acessar a plataforma.
Os preços da maioria das principais criptomoedas caíram após a notícia do ciberataque, com exceção das stablecoins, que, por definição, só podem oscilar dentro de margens estreitas. Às 4h00 GMT (1h00 de Brasília), bitcoin e Ethereum recuavam 0,8%, uma recuperação após quedas de quase 5% e 6%, respectivamente. O BNB, moeda nativa da Binance, subiu 2,7% após uma queda de 10%.
Continua após a publicidade O ataque contra a Binance acontece no momento em que muitos observadores expressam preocupação de que as capacidades em constante expansão dos modelos de inteligência artificial (IA) possam comprometer a criptografia e os protocolos de segurança de TI.
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