Bill Gates: “Sem regulação, IA será feita pelos e para os mais ricos”

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Bill Gates voltou a alertar para o risco de a inteligência artificial aprofundar a desigualdade no mundo caso governos e empresas não tomem medidas para ampliar o acesso à tecnologia. Para o cofundador da Microsoft, deixar o desenvolvimento da IA exclusivamente nas mãos do mercado pode fazer com que seus principais benefícios fiquem concentrados entre as pessoas mais ricas. “Se deixarmos isso para o mercado, a IA será projetada pelos e para os mais ricos do mundo”, afirmou Gates. A declaração acompanha a publicação, nesta terça-feira (15), do relatório anual Goalkeepers, da Fundação Gates, que acompanha o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Gates afirmou que a inteligência artificial pode se transformar em uma “grande equalizadora – ou ampliar a desigualdade”. Segundo ele, apesar de ter acompanhado de perto a revolução dos computadores pessoais, nada se compara ao atual momento da IA, que estaria “avançando mais rápido e alcançando mais pessoas do que qualquer coisa antes dela”. Para o bilionário, as decisões tomadas nos próximos meses serão determinantes para definir quem será beneficiado pela tecnologia. “As decisões que tomarmos nos próximos 12 a 18 meses determinarão se essa tecnologia beneficiará as pessoas que já têm mais ou chegará àquelas que têm menos”, escreveu. Gates argumenta que a IA pode ser usada para melhorar a vida de populações vulneráveis, mas ressalta que isso “não acontecerá por acaso”. Fundação Gates promete US$ 1 bilhão para ampliar acesso à IA Junto ao relatório, a Fundação Gates anunciou que pretende investir pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à inteligência artificial e a soluções baseadas na tecnologia. Do total, 40% serão destinados à educação, incluindo sistemas de tutoria com IA. Outros 40% irão para aplicações na área da saúde, como diagnósticos, apoio à tomada de decisões clínicas e desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas. A agricultura receberá 10% dos recursos, com foco no uso de IA por pequenos produtores. Os 10% restantes serão destinados à construção da infraestrutura digital que, segundo a fundação, é necessária para tornar o acesso à tecnologia mais igualitário. O relatório também apresenta três propostas consideradas prioritárias para reduzir o risco de a inteligência artificial ampliar desigualdades. Uma delas é disponibilizar ferramentas de IA nos diferentes idiomas falados ao redor do mundo. Segundo o documento, mais de 90% dos dados utilizados para treinar os primeiros modelos de inteligência artificial vieram de fontes em inglês. A fundação também defende que países e comunidades tenham participação nas decisões sobre como seus dados são administrados e protegidos. Outra recomendação é permitir que profissionais diretamente afetados pelas novas ferramentas, como médicos, agricultores, professores e desenvolvedores, possam avaliá-las e adaptá-las às próprias necessidades. Gates vem aumentando os alertas sobre os riscos da IA As declarações fazem parte de uma série de alertas recentes de Gates sobre as consequências econômicas e sociais da inteligência artificial. No fim de agosto, ele publicou um ensaio de cerca de 6 mil palavras no qual afirmou que a “transição para a era da IA será um dos períodos mais turbulentos da história humana” e alertou que, atualmente, “não estamos nos preparando para isso”. Entre suas preocupações está o impacto da tecnologia sobre o mercado de trabalho. Gates afirmou que muitos empregos podem desaparecer definitivamente e avaliou que os postos de nível inicial e intermediário estão entre os mais ameaçados. Ele também apontou riscos relacionados ao uso malicioso da inteligência artificial, incluindo fraudes, desinformação, deepfakes, ataques cibernéticos e bioterrorismo. Outro temor mencionado pelo bilionário é a possibilidade de modelos de IA começarem a agir contra os interesses humanos, levando a uma eventual perda de controle sobre os sistemas. Gates também chamou atenção para os possíveis efeitos da tecnologia sobre crianças, especialmente diante do crescimento de companheiros virtuais baseados em IA que podem substituir parte das relações humanas. Mais Lidas

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