Beyoncé, Coldplay ou Adele: quem vai ter a honra de viver a emoção da primeira vez num palco em Copacabana?
Coldplay, Beyoncé, U2 ou Adele? Há quem diga que será Shakira. Mal terminou a grande festa de réveillon em Copacabana, e as pessoas já estão curiosas para saber qual será a grande atração a se apresentar na praia mais famosa do Brasil em maio, como aconteceu com Madonna e Lady Gaga em anos anteriores. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, entusiasta assumido de que a cidade, cada vez mais, se torne palco de megaeventos, fez uma publicação em suas redes sociais com os nomes desses e de outros artistas. As apostas estão lançadas! E, ainda que, como moradores, a gente enfrente todos os perrengues que esta terra esfrega na nossa cara no dia a dia, duvido que exista no mundo lugar que faça festa tão bem quanto aqui.
O Rio, por si só, é um espetáculo. Minha opinião é enviesada: sou uma carioca de coração, adotei a cidade para morar por livre e espontânea vontade. Mas essa não é só a minha visão. É a de milhões de pessoas que escolheram esse pedaço de litoral para passar férias ou celebrar a chegada de 2026. O número de visitantes bateu recorde.
Você se lembra de quando foi que viveu algo “pela primeira vez” mais recentemente? Fiquei pensando nisso ao perceber a empolgação dos amigos que eram estreantes no fim de ano no Rio. Enquanto eu dava plantão, eles se esbaldavam. Saíam de casa cedo e só retornavam no fim do dia. Emendaram mergulho no mar, mate e biscoito Globo com chope no bar e pedaladas na ciclovia até o sol se pôr. Nas conversas antes de dormir, vinham os balanços, sempre positivos: “Que dia maravilhoso, o céu estava com uma luz tão bonita que eu nem sabia para onde olhar”. E na virada? Eles queriam ver todos os shows, olhos vidrados nos fogos, fotos para registrar o momento, os drones do Alok… Aquela energia de curtir, com 100% de aproveitamento, uma experiência inédita, sem deixar nada passar. Presenciando essa alegria, parecida com a de uma criança que curte um brinquedo novo, perguntei a uma amiga: “Como você definiria o réveillon no Rio?”. “Chocante, impactante”, devolveu ela.
É claro que poderíamos resumir tudo isso à alegria de se estar de folga, de férias ou de ser turista. Mas em meio à multidão que se juntou na orla da Princesinha do Mar tinha muito morador, muito trabalhador curtindo seu único dia de feriado. Pobre, rico, classe média... Todos juntos e misturados. E tudo deu certo. As ocorrências foram mínimas. O que mostra que, apesar dos pesares, as pessoas têm muito mais vocação para serem felizes e realizarem coisas bonitas juntas do que protagonizarem atrocidades.
O olhar de encantamento das pessoas que vêm de fora para esta cidade onde vivemos serve como um lembrete: às vezes a gente se esquece da sorte que é poder estar aqui todos os dias. A rotina tende a ofuscar nossa visão, o dia a dia vai aniquilando nossas sensações de “primeira vez’’. Afinal, as praias, a Lagoa e a mureta estão sempre ali... Justamente por termos tudo isso no nosso quintal, nossa responsabilidade aumenta. Fazemos parte desse show, meu amor.
Sabe aquela história de sair da praia e recolher o lixo que a gente acumula em vez de esperar o pessoal da Comlurb passar? Com o calorão do verão, as areias do Arpoador, por exemplo, nunca ficavam vazias. Não havia equipe de limpeza que desse conta. Pois cheguei com os filhos dos amigos no fim de uma manhã e tivemos que recolher coisas pra conseguir ter onde sentar. Falta pouco para nossa vida ser melhor: cobrar a responsabilidade das autoridades, mas arcar com as nossas.
Dito isso, é preparar a fantasia, porque antes do show de maio ainda tem um carnaval pela frente. E, venha quem vier, entre apostas, expectativas e surpresas, o Rio segue sendo apoteótico: difícil de explicar e impossível de ignorar.
Gabriela Germano é editora-assistente e atua na área de cultura e entretenimento desde 2002. É pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Uerj e graduada pela Unesp. Sugestões de temas e opiniões são bem-vindas. Instagram: @gabigermano E-mail: gabriela.germano@extra.inf.br
