Between the Buried and Me - um show especialmente feito para os metal geeks brasileiros

Between the Buried and Me - um show especialmente feito para os metal geeks brasileiros - Foto
Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Diego CamaraPostado em 24 de outubro de 2026 Seis anos após uma apresentação polêmica na Fabrique Club - quatro dias após a decretação de emergencia global pela Covid-19 - o Between the Buried and Me voltou ao Brasil para uma apresentação, digamos, menos anormal.

O Hangar 110 estava bastante cheio para um show que reúne o que há de mais exigente dentre os fãs da música extrema para ver uma das bandas que mais se nega a abraçar gêneros e convenções musicais. O resultado foi uma apresentação potente e apaixonada.

Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota. A entrada no Hangar 110 foi bastante tranquila, e uma boa parte do público se negou a chegar cedo.

Quando os paulistas do Abstracted subiram ao palco para sua apresentação, uma quantidade bem baixa de fãs estavam na casa para esquentar os motores. A apresentação foi curta e regada por um metal bastante técnico, que flerta com o progressivo, mas sem a insanidade apresentada pelo artista principal.

O BTBAM subiu ao palco no horário exato marcado: 20h45m. Britânico, para uma trupe de estadunidenses.

O show foi um estouro desde o início, com a excentricissima e curta "Mirador Uncoil" encaixada em seguida a "Psychomanteum". A violência musical dos vocais e das guitarras, quebrada pelo elemento clássico dos teclados e os vocais limpos traz todo um clima de suspense: para quem não conhece a música, é impossível prever o que vai vir depois.

O público bateu muita cabeça desde o início. O palco era pequeno para tanta banda, deixando o vocalista Tommy Giles Rogers virado quase que a maior parte do tempo para o lado esquerdo do público.

Mas a qualidade do som é inigualável - e é uma das coisas que faz do Hangar 110 uma casa especial: a casa sempre parece se ajustar ao estilo da banda, sendo única quando vamos comparar com outros locais para shows pequenos na cidade. Logo em seguida, a banda soltou "Fossil Genera", e que apresentação linda foi esta.

Bastante emoção encheu a casa, o público cantou bastante e puxou com vontade o refrão da música. Sua sequência longa começa com uma introdução extravagante, puxada pelo som do piano que se abre a uma hecatombe de sons distintos que finda num final mágico, digno de aplausos do público.

"The Coma Machine" também veio na mesma toada, com Rogers chamando o público para cantar desde o início da música. O trabalho do palco aqui brilhou muito, e o som do Hangar110 segurou uma música extremamente técnica e desafiadora.

Logo em seguida, "God Terror" veio como mais uma música do "Blue Nowhere". Focada mais nos guturais e com sua pegada mais industrial, a apresentação foi digna de quebrar o pescoço do público.

O novo disco é muito bom e ficou ainda melhor ao vivo. "Absent Thereafter" deu aquele tom raiz ao show, com muita potência e focada no trabalho de Blake Richardson atrás do kit.

Na segunda parte da música, uma sequência de solos impressionante permeia uma troca mágica com o uso dos teclados. Logo depois veio um dos grandes sucessos da banda: "Selkies".

Aqui os vocais brilham, com transições impressionantes entre os guturais e melódicos, em um som progressivo que parece se tornar mais sofisticado à medida que a música avança. A banda ainda retornou no final para um bis, aberto com "Sun of Nothing", uma das apresentações mais bonitas da noite.

Rogers agradeceu a presença do público nesta noite, a última da turnê na América do Sul. A sequência final é aqui muito mágica, com o público cantando com muita vontade junto com o vocalista, cheios de emoção, com todos flutuando em direção ao sol.

"Silent Flight Parliament" veio para fechar o show. Potente e violenta, outro convite para o público cantar junto o seu refrão final, mas com uma sequência inicial brutal puxada pelas guitarras.

O final é melancólico, infeliz e entristecido, como uma obra de arte entrando em decadência logo após o seu apogeu. O show finaliza com "Goodbye to Everything Reprise", uma sequência curta focada num solo de guitarra emocionante e em um final calmo e tranquilo, com todos indo em paz.

A apresentação, no geral, foi de uma excelência impressionante, como pouco se vê atualmente no cenário da música extrema. Não só pela qualidade do Between the Buried and Me mas também pela capacidade do Hangar 110 e das equipes da ND Productions e da Powerline em tirarem o melhor possível para o show.

Quem dera todos os espetáculos fossem neste nível, estaríamos garantindo o respeito à música alternativa e aos fãs. SetlistMirador UncoilPsychomanteumFossil Genera - A Feed from Cloud MountainCondemned to the GallowsThe Coma MachineGod TerrorAbsent ThereafterSelkies: The Endless ObsessionThe Future Is Behind UsEncoreSun of NothingSilent Flight ParliamentGoodbye to Everything Reprise

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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