A suinocultura brasileira avançou na adoção de práticas de bem-estar animal nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios para acelerar a transição aos sistemas de alojamento, segundo levantamento anual divulgado pela organização Alianima. O Observatório Suíno convidou 11 fornecedores a participarem do estudo, dos quais apenas um não respondeu ao questionário.
O estudo aponta que 45,1% das matrizes suínas estão alojadas em baias coletivas durante a gestação, o que representa um avanço de 0,2 ponto percentual em relação ao levantamento do ano passado. Entre os fornecedores que responderam ao levantamento, JBS e Ecofrigo afirmaram ter alcançado 100% de suas matrizes em baias coletivas na fase de gestação.
Também houve avanços nas respostas da Pamplona, Alegra Foods e Alibem. Outras três empresas, segundo o relatório, não apresentaram avanços considerados suficientes.
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O financiamento da transição continua sendo citado como um dos principais obstáculos. Neste ano, 80% dos fornecedores apontaram essa como uma dificuldade para avançar.
A precificação do produto final foi mencionada por 70%, e o planejamento das instalações, por 60%. "O cenário reforça a importância de um esforço conjunto entre produtores, empresas compradoras, instituições financeiras e poder público para viabilizar as mudanças necessárias.
O objetivo é permitir que os compromissos assumidos sejam convertidos em melhorias efetivas nas condições de alojamento, sem desconsiderar os desafios técnicos e econômicos envolvidos", afirma Maria Fernanda Martin, zootecnista e gerente de bem-estar animal da Alianima. O levantamento também aponta que 60% dos fornecedores afirmaram ter planos para oferecer mais espaço às matrizes na maternidade, mas somente em novas instalações.
Outros 40% não indicaram planos de apliação. Um ponto considerado positivo pela Alianima é que, pelo terceiro ano consecutivo, 100% dos fornecedores respondentes declararam não realizar castração cirúrgica sem anestesia, enquanto 80% informaram terem banido o desbaste dos dentes dos leitões.
Já entre as empresas compradoras monitoradas, 53% nunca reportaram informações sobre a transição para sistemas de gestação coletiva ou deixaram de fazê-lo nas três edições mais recentes do levantamento. Foram contatadas 32 empresas, das quais 13 responderam ao questionário.
"A ausência de reporte não comprova, por si só, que uma empresa não tenha avançado na transição. No entanto, impede que seus fornecedores, consumidores e outros públicos acompanhem de forma consistente os resultados alcançados, as dificuldades encontradas e a evolução em relação às metas divulgadas", explica Maria Fernanda.
Globo Rural