Duas jovens de 18 anos, que estavam na lista que avaliava mais de 60 mulheres, até mesmo adolescentes, conversaram com a Redação Integrada de O Liberal nesta sexta-feira (28/8).
Elas relataram os constrangimentos que tiveram ao tomarem conhecimento da lista em que estavam inseridas.
A Polícia Civil do Pará investiga o episódio e estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém, entre eles, um aluno do curso de Medicina, por envolvimento no caso.
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O tipo de lista em questão é utilizado para classificar e ranquear itens de um determinado assunto, como, por exemplo, filmes ou séries.
No entanto, nesta lista investigada pela PC, entre as categorias estava o termo "casável", acompanhado de nomes e fotos das mulheres.
Uma das jovens que aparece no ranking contou à reportagem que soube da lista depois de duas amigas delas, que também foram vítimas, informarem sobre a situação.
Ela contou que não ficou surpresa com o ocorrido.
“Eu convivi diariamente com esses meninos, nós estudamos juntos, e essa lista é só uma ponta do caráter deles.
Quem conviveu sabe que eles dizem coisas muito piores.
Eu não fiquei surpresa dessa lista existir, mas sim de estar lá”, afirmou.
A estudante da área de Comunicação informou que ainda não procurou as autoridades para fazer a sua denúncia, por ter outras prioridades no momento que lhe demandam tempo e atenção.
“Eu tenho um bebê pequeno, uma casa que conta comigo para se manter de pé, uma geladeira que eu preciso encher, uma criança que eu preciso sustentar.
Para dar entrada (na denúncia), vou ter desgastes emocionais e do meu tempo; vou precisar ir atrás de um advogado para estar comigo durante o processo.
E eu não tenho essa disposição.
Por esses motivos, ainda não fiz o boletim (de ocorrência) e não sei se vou fazer”, destacou.
Os julgamentos
A jovem contou que ainda se sentiu bastante envergonhada com a lista, especialmente por atuar no ramo da Comunicação.
Ela tem medo de que isso possa atrapalhá-la no trabalho e espera que a justiça seja feita.
“Nem todo mundo enxerga a gente, que foi vítima, como vítima.
Vão ter muitas pessoas que vão nos julgar como se fôssemos culpadas, como se estivéssemos insinuando para estar ali (na lista).
(...) Eu trabalho com a minha imagem, então foi muito vergonhoso estar em uma lista de cunho sexual.
A primeira coisa que pensei foi se os meus clientes vissem, o que iriam pensar de mim.
Para as meninas que são menores de idade, não consigo nem explicar o quanto isso foi prejudicial, principalmente para a família", relatou.
Constrangimento
A outra vítima, que também é estudante, soube da lista também por meio de uma amiga.
“Fiquei assustada e constrangida.
A ideia de imaginar homens que eu não conheço me listando faz-me pensar o que eles deviam estar pensando na hora de selecionar”, disse.
Ela comentou que a vontade de querer justiça e não deixar passar como se fosse algo “normal” a fez procurar as autoridades.
“Espero que esse tipo de atitude não seja normalizada, nem impune.
Quero que eu consiga seguir minha vida e não ser resumida a ‘menina da foto', como muitas de nós estamos sendo; somos além disso.
Que a gente nunca se acostume com aquilo que devia nos revoltar", ressaltou.
De acordo com a jovem, entre as mais de 60 meninas que estão na lista, estão garotas de 12 anos.
Ela revelou ao Grupo Liberal que, na plataforma onde essa lista circulou, existem mensagens dos suspeitos fazendo piadas sobre estupro.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso é apurado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate à Crimes Cibernéticos (DECCC).
