Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Nove anos depois de sua morte, em decorrência de um rompimento da aorta, o cantor e compositor cearense continua a fazer barulho — e não apenas por causa da série de filmes, discos e outras homenagens que celebram sua trajetória neste ano.
Um levantamento do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) revela que "Como nossos pais" — um dos maiores clássicos de seu repertório — é a música de sua autoria mais executada publicamente no Brasil nos últimos cinco anos. A canção também lidera a lista das mais regravadas, com 121 registros.
Cinco anos após morte: Marília Mendonça é tema de série documental que recupera material inédito de seu acervo Há meio século: 'Escrava Isaura', 'Anjo mau', 'Saramandaia' e mais — por que 1976 mudou as telenovelas no Brasil?
Na relação das músicas mais tocadas, "Coração selvagem" e "Comentário a respeito de John", parceria com José Luiz Penna, completam o pódio. Ao todo, Belchior possui 237 obras musicais e 392 gravações cadastradas no banco de dados da gestão coletiva.
Fagner, seu conterrâneo e parceiro em "Mucuripe", é o artista que mais regravou suas composições, com 57 registros. A data ganha um significado especial por coincidir com os 50 anos de "Alucinação", álbum que ajudou a consagrar Belchior como uma das vozes mais originais da música brasileira.
Como mostrou o GLOBO no início deste mês, o duplo aniversário motiva uma série de projetos dedicados ao artista, incluindo documentários, uma cinebiografia, livros e o disco de estreia de sua filha caçula, Vannick Belchior. Entre as produções está o documentário "Alucinação", de Renato Terra, Marcos Caetano e Leonardo Caetano, que teve sua primeira exibição no Festival do Rio, neste mês.
Construído a partir de imagens de arquivo, o filme toma o álbum lançado em 1976 como uma espécie de roteiro para revisitar o Brasil da época, marcado pela ditadura militar, e as inquietações de uma geração que buscava novos caminhos para o país. — Adoraria que as pessoas saíssem do cinema com essa pergunta: onde é que a gente perdeu essa ideia de país que olhava para o futuro, que imaginava uma nova maneira de viver em sociedade? — afirmou Renato Terra, em entrevista ao GLOBO.
Outra homenagem chegará aos cinemas em 3 de dezembro, com a estreia prevista de "Viver é melhor que sonhar", de Eduardo Albergaria. Estrelado por Luiz Carlos Vasconcelos e Isabela Garcia, nos papéis de Belchior e de sua mulher, Edna, o longa acompanha os últimos anos de vida do músico, período em que ele se afastou da carreira artística e passou a viver longe dos holofotes.
Para desenvolver o projeto, o diretor visitou 78 pessoas que acolheram o compositor durante suas andanças pelo país. O filme integra uma trilogia que começou em agosto, com a estreia da série "Alucinação", no Globoplay, e será concluída com outro documentário, ainda em desenvolvimento.
As homenagens também incluem livros, entre eles uma publicação de Renato Terra e Rodrigo Salgado dedicada ao álbum de 1976, e o relançamento de "Viver é melhor que sonhar", de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, que inspirou o longa-metragem. Na música, uma das iniciativas é de Vannick Belchior, filha caçula do compositor.
Aos 29 anos, ela lançou no início de outubro seu primeiro disco, "Meu nome é Cem", inteiramente dedicado ao repertório do pai. O trabalho reúne sucessos e composições menos conhecidas, como "Notícia de terra civilizada", parceria de Belchior com Rick Ferreira, e "Monólogo das grandezas do Brasil", gravada com participação de Renato Teixeira.
— Meu pai foi redescoberto pela mensagem, pela necessidade, pela urgência de falar sobre o Brasil — afirmou Vannick ao GLOBO. A cantora também destacou a presença das músicas do pai entre crianças e adolescentes e o sucesso do bloco de carnaval Volta Belchior, do qual participa há quatro anos.
— Meu pai sempre falou uma coisa que levo para a minha vida: "A fama é algo muito efêmero, mas a glória é o que fica." Ele conseguiu a glória — disse. Músicas mais tocadas de Belchior
Veja as dez músicas de Belchior mais tocadas nos últimos cinco anos: "Como nossos pais" — Belchior
"Coração selvagem" — Belchior "Comentário a respeito de John" — Belchior e José Luiz Penna
"Apenas um rapaz latino-americano" — Belchior "Velha roupa colorida" — Belchior
"Paralelas" — Belchior "A palo seco" — Belchior
"Medo de avião" — Belchior "Sujeito de sorte" — Belchior
"Mucuripe" — Belchior e Fagner Músicas de Belchior mais gravadas
Veja as cinco composições de Belchior mais gravadas por outros artistas: "Como nossos pais" — Belchior
"Mucuripe" — Belchior e Fagner "Paralelas" — Belchior
"A palo seco" — Belchior "Tudo outra vez" — Belchior
Fonte: Ecad. O ranking de execuções considera os últimos cinco anos nos principais segmentos de execução pública, como rádio, shows, música ao vivo, sonorização ambiental, casas de festas, carnaval e festas juninas.
O Globo