Beija-Flor revisita tema que quebrou seu maior jejum sem títulos desde o primeiro, conquistado em 1976

Beija-Flor revisita tema que quebrou seu maior jejum sem títulos desde o primeiro, conquistado em 1976

 

Fonte: Bandeira



A Beija-Flor de Nilópolis retornou à Ilha de Marajó para buscar inspiração para o desfile de 2027, que vai homenagear a pajé Zeneida Lima. Aos 92 anos, ela é a autora do livro "O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó"", que serviu de base para o enredo campeão de 1998, que tirou a escola de um jejum de 15 anos sem um título, o maior de sua história, desde o primeiro campeonato em 1976. Depois disso, a azul e branca engrenou uma sequência de mais nove campeonatos (de um total de 15), que fizeram dela a maior vencedora da Era Sambódromo.

Na noite de quarta-feira, a escola resolveu quebrar uma regra interna e abrir a quadra para a leitura da sinopse, na presença de seus compositores. Os eventos na agremiação, entre eles os ensaios, costumam acontecer sempre às quintas-feiras. Mas, dessa vez havia um motivo especial: era a data em que Laíla, o ex-diretor de carnaval homenageado com o enredo que deu à Beija-Flor o seu título mais recente, o de 2025, completaria 78 anos.

O enredo de 2027, como fazem questão de destacar os integrantes da escola, não é uma reedição, mas sim uma revisita ao tema de 30 anos atrás. Com o título “Zeneida: o sopro do pó de louro”, a escola vai contar a história de Zeneida Lima, importante referência cultural do arquipélago do Marajó, no Pará. Se antes o seu livro servia de inspiração, agora ela é a protagonista do desfile.

Zeneida é reconhecida como uma das últimas pajés marajoaras e se destaca pela preservação dos saberes ancestrais e pela atuação em projetos sociais e ambientais voltados para jovens da região. Além de ambientalista e ativista social, é também compositora, escritora e poeta. O livro que serviu de base ao enredo campeão de 1998 foi publicado seis anos antes.

Logo do enredo da Beija-Flor para 2027

Reprodução

O carnavalesco João Vitor Araújo contou que chegou ao tema após receber o pedido feito pelo presidente da escola, Almir Reis, para planejar um enredo feminino. Depois de muito analisar junto à sua equipe sobre o que tratariam no desfile disse ter recebido de uma voz misteriosa a sugestão de falar da pajé.

—Neste dia em que estávamos sentados diante do computador, eu no meu escritório, senti um sopro no cotovelo direito, que pedia "fala de Zeneida" — disse o carnavalesco, que passou a avaliar a possibilidade, principalmente ao perceber que focando nela, poderia contar uma história diferente daquela mostrada no desfile de 1998 — contei pra eles (os integrantes de sua equipe) por alto como foi meu encontro com ela, por meio do presidente (Almir Reis), faltando de três a quatro dias para o carnaval. Eu não tive muito tempo para ficar com ela, mas em pouco menos de uma hora, ela contando a história dela, vi que (o enredo sobre ela) podia ser bem diferente da contada em 1998.

Ele contou que teve de seguir para uma entrevista numa TV e à noite soube pelo presidente da escola, que a pajé havia recomendado a ele que tivesse muito cuidado com a "curva da Sapucai" (entrada crítica das escolas da Avenida Presidente Vargas para acessar o Sambódromo). Zeneida havia recomendado o sopro de um pó de louro no local, para que a escola não enfrentasse nenhum problema, o que foi feito.

—Foi então que chegamos à conclusão de que dona Zeneida reunia todas essas mulheres que o presidente (da escola) gostaria de retratar. É uma mulher forte que no alto de seus 92 anos, como bem foi dito nessa mesa (por Almir Reis): não se deixe enganar pela aparência daquela senhora de paz e fala mansa. Na verdade ela é uma onça, uma mulher que lutou e luta muito para manter aquele instituto chamado, Mundo dos Caruanas, de pé. E quando a gente decide que o enredo vai ser dona Zeneida, a coincidência acontece de frente para o calendário: no ano que vem, 2027, completa 30 anos desse (primeiro) encontro de Zeneida com a Beija-Flor de Nilópolis.

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