Bangladesh enfrenta onda de protestos por salários e fecha dezenas de fábricas têxteis

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Milhares de trabalhadores da indústria têxtil de Bangladesh voltaram às ruas neste domingo (1º) para exigir reajustes salariais, em uma mobilização que provocou confrontos com a polícia, bloqueios de rodovias e a paralisação de dezenas de fábricas. Os protestos continuam apesar da decisão do governo de criar um conselho responsável por revisar a remuneração dos empregados do setor.

Segundo a agência Reuters, o governo anunciou a formação de um conselho salarial composto por seis integrantes, após negociações com representantes dos trabalhadores e empresários. A iniciativa, entretanto, não conseguiu interromper as manifestações, que se intensificaram em importantes regiões industriais do país asiático.

Os trabalhadores reivindicam a elevação do salário mínimo mensal de 12.500 takas (aproximadamente US$ 102) para 30 mil takas (US$ 245), o equivalente a um reajuste de 140%. A categoria argumenta que a alta dos preços dos alimentos, dos aluguéis, dos transportes e dos serviços de saúde comprometeu profundamente seu poder de compra.

Polícia usa gás lacrimogêneo contra manifestantes Na capital, Daca, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar trabalhadores que haviam bloqueado um cruzamento de grande circulação.

Durante os confrontos, alguns manifestantes lançaram tijolos contra os agentes de segurança, de acordo com informações divulgadas pela polícia. Em Gazipur, um dos principais centros de produção de vestuário de Bangladesh, centenas de trabalhadores interromperam o tráfego em uma rodovia estratégica nos arredores da capital.

A mobilização prejudicou o transporte e o funcionamento das unidades industriais instaladas na região. O superintendente da Polícia Industrial de Gazipur, Mohammad Amjad Hossain, informou que os protestos levaram empresários a suspender as atividades de 25 a 30 fábricas.

Diante do agravamento dos confrontos, as autoridades mobilizaram integrantes da Guarda de Fronteira de Bangladesh para reforçar a segurança. A paralisação também atingiu Ashulia, outro importante polo têxtil próximo a Daca.

No sábado (31), dezenas de fábricas interromperam a produção em consequência das manifestações organizadas por trabalhadores que reivindicavam melhores salários. Governo tenta negociar reajuste e retomar produção

O ministro do Trabalho e Emprego, Ariful Haque Chowdhury, anunciou que o novo conselho salarial foi constituído após conversas com representantes sindicais e dirigentes empresariais. Ele também pediu que os trabalhadores retornassem aos postos de trabalho enquanto o processo de revisão salarial estivesse em andamento.

A criação do colegiado representa uma tentativa de estabelecer uma negociação institucional para enfrentar o conflito trabalhista. Até o momento, porém, não foi anunciado um novo valor para o salário mínimo, nem há indicação de que a reivindicação de 30 mil takas será atendida.

Chowdhury também advertiu sobre as consequências econômicas de uma paralisação prolongada. Segundo o ministro, a interrupção da produção pode comprometer os prazos de embarque das mercadorias destinadas ao exterior e atrasar pagamentos realizados por compradores internacionais.

Esses atrasos, de acordo com o governo, poderiam ampliar as dificuldades financeiras das empresas e afetar os próprios trabalhadores, cuja renda depende diretamente do funcionamento das unidades industriais. Setor emprega 4 milhões de pessoas e sustenta exportações

A dimensão dos protestos preocupa as autoridades porque a indústria de confecção é uma das principais bases da economia de Bangladesh. O setor emprega aproximadamente 4 milhões de trabalhadores e responde por mais de 80% das receitas obtidas pelo país com exportações.

Bangladesh ocupa a segunda posição mundial na fabricação e exportação de vestuário, atrás apenas da China. Suas fábricas abastecem grandes marcas internacionais, especialmente dos mercados ocidentais, que dependem da produção realizada no país asiático.

A indústria também representa aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que torna as paralisações uma ameaça tanto ao desempenho econômico quanto à entrada de divisas estrangeiras. A reivindicação salarial ocorre em um cenário de encarecimento das despesas básicas das famílias.

Para os trabalhadores, o salário mínimo atual já não acompanha os custos necessários à manutenção de condições adequadas de vida, especialmente nas regiões urbanas e industriais. Empresários alegam aumento de custos e dificuldades energéticas

Enquanto os trabalhadores pressionam por uma recomposição expressiva dos salários, representantes da indústria afirmam que as empresas enfrentam dificuldades crescentes para manter a competitividade internacional. Entre os principais problemas mencionados pelos fabricantes estão o aumento dos custos de produção, as interrupções periódicas no fornecimento de gás e eletricidade e a instabilidade dos mercados de energia associada às tensões no Oriente Médio.

Esses fatores, segundo os empresários, pressionam as despesas operacionais das fábricas e dificultam o planejamento financeiro das empresas exportadoras. O impasse coloca o governo diante da necessidade de conciliar as reivindicações de milhões de trabalhadores com as preocupações de um setor responsável pela maior parte das vendas externas do país.

A continuidade das manifestações, mesmo depois da criação do conselho salarial, demonstra que o anúncio governamental ainda não foi suficiente para atender às expectativas dos trabalhadores. Sem um acordo sobre o reajuste, permanece a possibilidade de novas paralisações em uma das maiores cadeias de produção de roupas do mundo.

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