Bandidos incendeiam carro de empresa de internet em Itaboraí
O crime organizado que lucra com a comercialização irregular de sinal de internet voltou a atacar na Região Metropolitana do Rio. Nesta terça-feira, um carro da empresa Leste Telecom foi incendiado em Itaboraí. O veículo estava com um funcionário que foi rendido por dois homens em uma motocicleta. Ele foi obrigado a sair do automóvel. Em seguida, os suspeitos, que estavam mascarados, atearam fogo no carro. Ninguém ficou ferido na ação criminosa.
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O ataque ocorreu quando um técnico da empresa realizava manutenção na rede de fibra ótica no bairro Joaquim de Oliveira. O crime foi a cerca de 200 metros do palco onde serão realizados os shows em comemoração aos 193 anos de emancipação do município.
Em nota, a assessoria de imprensa da Leste Telecom informou que o funcionário está bem e recebendo apoio da empresa. A companhia disse ainda que ainda não possui noção total dos prejuízos causados pela ação criminosa, que envolvem um veículo novo da frota, além de equipamentos e materiais utilizados em reparos na rede.
A empresa informou também que está colaborando com as investigações conduzidas pela 71ª DP (Itaboraí).
Série de ataques
Este é o quinto ataque, desde o início do ano, contra operadoras e provedores que trabalham regularmente no Rio de Janeiro. No dia 12 de maio, O GLOBO publicou matéria revelando que facções criminosas e milícias exploram a comercialização irregular de sinais de internet e tentam impor o pagamento de taxas a quem opera legalmente no mercado em pontos de pelo menos 37 dos 92 municípios do estado.
Quem se recusa a pagar sofre retaliações. Além de Itaboraí, carros de empresas, equipamentos e até instalações foram incendiados por criminosos em Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá, na Região Metropolitana.
O levantamento se baseou em investigações policiais e dados recebidos pelo serviço Disque Denúncia (21 2253-1177), além de informações passadas por moradores, operadoras e provedores.
Negócio lucrativo
A comercialização criminosa de sinal de internet surgiu em territórios controlados pela milícia, mas não demorou a ser copiada pelo tráfico — e, em maior escala, pelo Comando Vermelho (CV). Lucrativo, o negócio irregular avançou pelo asfalto e pelo interior do estado. Em áreas dominadas por bandidos, empresas oficiais são proibidas de realizar manutenções ou novas instalações. A partir daí, os grupos ilegais passam a explorar o serviço.
Em 2026, o primeiro ataque registrado contra uma empresa de internet aconteceu no dia 6 de janeiro, na cidade de Cachoeiras de Macacu, que resultou num carro foi incendiado no bairro de Papucaia. Houve mais episódios violentos nos dias 22 e 23 de março, em Japeri e Paracambi, respectivamente. Na primeira cidade, um escritório e um automóvel foram incendiados. Na segunda, um veículo usado na manutenção de redes de fibra ótica também foi queimado. Um bandido chegou a enviar mensagem pelas redes sociais ameaçando quem não se dispusesse a pagar as taxas de extorsão. O caso mais recente é de 28 de abril: o veículo usado por um técnico foi atacado em Maricá e acabou sendo incendiado.
As investigações mostram que traficantes e milicianos agem de duas maneiras. Em alguns casos, os bandidos usam empresas de internet, sob administração própria ou de prepostos, que têm exclusividade nos territórios dominados. Em outros, passam a cobrar taxas de operadoras e provedores locais. O valor da “permissão de trabalho” pode chegar à metade do pago pelos clientes.
