Banco Master: ex-presidente do São Roque Prev é alvo de buscas da PF

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Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

São Paulo — A operação da Polícia Federal (PF) contra um esquema de fraudes no São Roque Prev, o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, tem como principal alvo o ex-presidente da autarquia, Vanderlei Massarioli. Ao todo, as autoridades cumpriram nove mandados de busca e apreensão no município paulista e também em endereços em Pernambuco.

Massarioli era o presidente do São Roque Prev na época de um investimento de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master e do BTG Pactual, além de R$ 20 milhões no fundo imobiliário Nest Eagle. Os investimentos são alvo de investigação da PF.

Segundo as autoridades, as aplicações teriam sido amparadas por pareceres técnicos genéricos e sem fundamentação adequada, além de não considerarem processos administrativos sancionadores, análises comparativas de ativos disponíveis no mercado e a diversificação do portfólio. Também há suspeita de que o processo decisório teria sido direcionado, com os emissores escolhidos antes mesmo da avaliação de riscos.

O prejuízo estimado para o São Roque Prev é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor bloqueado em desfavor dos investigados. Os suspeitos poderão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e peculato financeiro.

Conforme publicado pelo Metrópoles, o comitê de investimento do São Roque Prev entendeu como uma “boa oportunidade de negócio” aprovar por unanimidade um investimento de R$ 93,2 milhões em letras financeiras do Banco Master. A decisão sobre o aporte ocorreu em fevereiro de 2024 e os pagamentos foram feitos em sete parcelas, entre abril e setembro daquele ano.

No parecer técnico apresentado ao comitê, foi calculado um retorno de R$ 12,7 milhões com o investimento. À época, o colegiado optou por trocar os ativos que possuía junto ao BTG pelos do Master, após um parecer favorável feito por uma consultoria particular.

A coluna Demétrio Vecchioli, no entanto, revelou que a Previdência municipal adulterou a ata sobre o risco de investir no Master. Apesar de um relatório elogioso ao Master, a primeira versão da ata, produzida no dia seguinte da reunião e enviada à Câmara Municipal, ao Ministério da Previdência e a outros órgãos de controle, dizia que os membros do comitê entenderam que o Master “trará risco ao SRPrev”.

A ata publicada no site – e arquivada fisicamente na sede da SRPrev – diz o contrário: que o entendimento foi de que o Master era um banco que “não aumentará risco”. Os aportes do São Roque Prev no Master viraram tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal.

O relatório final não responsabiliza nenhuma autoridade do município e culpa o Banco Central por “se omitir no seu dever fiscalizador” e gerar um “ponto cego regulatório” que causou grandes prejuízos ao instituto de previdência local. O relatório também aponta que a empresa Crédito e Mercado, responsável pela consultoria, tentou reduzir sua atuação a “mera emissão de pareceres formais” para validar decisões já tomadas, minimizando os riscos de se investir no Master, alegando que o mercado tinha ciúme do desempenho do banco e que o governo federal “jamais deixaria um banco quebrar”.

Proporcionalmente, São Roque é o município mais afetado por investimentos sem garantia na instituição de Daniel Vorcaro.

Publicação Original Metropoles metropoles.com
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