O avião que caiu na Flórida perdeu altitude rapidamente após relatos de gelo e turbulência; investigadores encontraram indícios de que partes do jato podem ter se soltado ainda no ar Resumo gerado por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O avião que caiu na Flórida, nos Estados Unidos, passou por uma sequência de alertas em poucos minutos antes de atingir uma área residencial e explodir. A tripulação relatou gelo e turbulência, pediu autorização para subir de altitude e, menos de 30 segundos depois, declarou emergência pelo rádio.
O acidente aconteceu no domingo (1º), no condado de Palm Beach, e matou as nove pessoas que estavam a bordo do Learjet 60. Na investigação, o NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos) encontrou indícios de que partes da aeronave podem ter se desprendido ainda durante o voo.
O acidente envolveu um Learjet 60, jato executivo operado pela Aurora Aviation, empresa que atua comercialmente como Upper Jet. A aeronave saiu do Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, por volta das 10h37 de domingo (1º), com destino ao Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas.
A bordo estavam nove pessoas, dois integrantes da tripulação e sete passageiros. O avião caiu por volta das 12h50, na região de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida, perto de uma área residencial e de uma via movimentada.
O impacto provocou uma grande explosão, abriu uma cratera no asfalto e espalhou destroços pela região. Todas as nove pessoas que estavam na aeronave morreram.
Um homem que passava de carro próximo ao local também ficou ferido na perna. O acidente levou à retirada de moradores de aproximadamente 77 casas móveis próximas à área atingida.
Segundo autoridades locais, cerca de 600 pessoas precisaram deixar temporariamente suas residências. A investigação está sob responsabilidade do NTSB, com apoio da FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos).
A sequência de comunicações entre a tripulação e o controle de tráfego aéreo é uma das partes mais importantes da investigação. Em aproximadamente quatro minutos, os pilotos relataram dificuldades relacionadas ao clima, solicitaram uma mudança de altitude e comunicaram uma emergência.
A cronologia apresentada pelo NTSB em coletiva de imprensa, reproduzida Associated Press, permite reconstruir os principais momentos: A sequência chama atenção pela rapidez com que a situação se agravou.
Inicialmente, os pilotos consideravam administrável a presença de gelo na aeronave. Pouco depois, porém, o avião começou a perder altitude de maneira acelerada.
A transcrição das comunicações também mostra que parte das mensagens ficou incompreensível durante a emergência. O NTSB ainda precisa reconstruir todos os acontecimentos que levaram à queda.
Um dos primeiros alertas ocorreu quando a aeronave voava a aproximadamente 35 mil pés de altitude, o equivalente a cerca de 10,7km. Segundo o relato apresentado pelo investigador do NTSB, Tom Chapman, os pilotos informaram que enfrentavam turbulência moderada e presença de gelo leve e transparente na aeronave.
Naquele momento, a tripulação descreveu a condição como administrável. Os profissionais também relataram oscilações de altitude de aproximadamente 700 pés e uma temperatura externa de -47 °C.
Pouco depois, a tripulação comunicou que estava encontrando precipitação e solicitou autorização para subir de 35 mil para 37 mil pés. O controle de tráfego aéreo autorizou a mudança.
Menos de 30 segundos depois, a situação mudou. Uma transmissão informou que o avião estava descendo, seguida por um pedido de socorro, conhecido na aviação como Mayday.
Em outra comunicação, a tripulação relatou uma condição de excesso de velocidade durante a descida. Parte da mensagem não pôde ser compreendida pelos investigadores.
De acordo com a Reuters, uma das descobertas mais importantes da investigação é a existência de indícios de que o Learjet 60 pode ter começado a se partir ainda durante o voo. A informação foi apresentada por Tom Chapman, integrante do conselho do NTSB, durante uma coletiva realizada na segunda-feira (2), em West Palm Beach.
Segundo o investigador, há evidências de que partes da aeronave podem ter se desprendido antes do impacto. Isso significa que os destroços talvez não estejam concentrados apenas na cratera provocada pela queda.
O responsável pela investigação no local, Timothy Monville, informou que os destroços encontrados até aquele momento estavam espalhados por uma área de aproximadamente 800 metros de comprimento por 640 metros de largura. Os fragmentos foram localizados em campos esportivos, estabelecimentos comerciais e residências.
Outra informação importante é que os registros de manutenção indicam que o avião tinha um gravador de voz da cabine instalado. Porém, os investigadores ainda não confirmaram se o equipamento estava a bordo durante o voo que terminou em acidente.
O NTSB também informou que a aeronave estava operando sob responsabilidade da Aurora Aviation, que utiliza comercialmente o nome Upper Jet. As condições meteorológicas, o histórico de manutenção, os sistemas da aeronave e as decisões da tripulação estão entre os pontos examinados.
As nove pessoas que morreram no acidente eram dois integrantes da tripulação e sete passageiros. Entre as vítimas identificadas por familiares está a copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos.
Seu padrasto confirmou a identidade à ABC News. Nathalia havia obtido sua licença de piloto em 2023, quando ainda tinha 17 anos e estudava na West Boca Raton Community High School, na Flórida.
Outra família identificada entre as vítimas é a de Adam Robinson e Helen Sharp, que viajavam com os dois filhos pequenos, Emma, de quatro anos, e Charlie, de dois. A informação foi divulgada pelo irmão de Adam, Anthony Robinson, que publicou uma homenagem à família.
As autoridades explicaram que a identificação oficial das vítimas dependia de um processo de coleta e análise de DNA conduzido pelo instituto médico-legal. Por isso, as informações divulgadas por parentes não devem ser confundidas com a conclusão formal desse procedimento.
Os nomes dos demais ocupantes não foram todos confirmados nas informações oficiais apresentadas até a coletiva. A próxima etapa envolve a recuperação dos destroços e a análise técnica dos componentes da aeronave.
Os investigadores também devem examinar os registros de manutenção, as condições meteorológicas, as comunicações com o controle aéreo e os equipamentos de gravação. Um dos maiores desafios é retirar os destroços da cratera aberta pelo impacto.
Segundo Timothy Monville, a água da chuva acumulada no local dificulta o trabalho das equipes. O NTSB informou que especialistas de diferentes áreas participam da investigação, incluindo profissionais responsáveis pela análise da estrutura e dos sistemas da aeronave, meteorologia, gravações e controle de tráfego aéreo.
A equipe deve permanecer no local durante vários dias para documentar e recolher evidências. A agência também pediu que testemunhas compartilhem fotografias e vídeos que possam ajudar a esclarecer o acidente.
Somente depois da análise das evidências será possível determinar o que provocou a queda do Learjet 60. Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil.
Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023. Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público.
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