O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta terça-feira (8) que a cidade divulgará 170 mil páginas de documentos até então não divulgados, que mostram que as autoridades da época sabiam que a qualidade do ar após os ataques terroristas de 11 de setembro representava riscos à saúde, apesar de terem assegurado ao público e aos socorristas que a qualidade do ar era segura. Às vésperas do 25º aniversário dos atentados, a cidade publicou os documentos em um portal de acesso público, que inclui relatórios sobre a qualidade do ar e correspondências entre autoridades de Nova York.
Mamdani destinou US$ 34 milhões do orçamento da cidade para a criação do portal com os registros. Muitos documentos estavam armazenados em 68 caixas em um escritório da prefeitura, e muitos só foram descobertos no ano passado por funcionários. A versão inicial disponibilizada no portal inclui o documento conhecido como "Memorando Harding", enviado ao então vice-prefeito Robert Harding em 2001, que oferece informações sobre a análise da cidade a respeito de possíveis respostas legais após os ataques, incluindo preocupações com a possibilidade de litígios decorrentes da exposição a substâncias tóxicas e a adequação dos equipamentos de segurança. 'Por muito tempo, informações sobre as consequências do 11 de setembro não foram fornecidas ao público. Durante anos, famílias, funcionários da cidade e sobreviventes têm clamado por mais transparência por parte do governo', disse Stephen Banks, chefe do departamento jurídico da cidade, sobre o comunicado. Embora quase três mil pessoas tenham sido mortas nos ataques, nos anos que se seguiram, 'milhares de outras adoeceram gravemente – muitas vezes fatalmente – devido a toxinas e detritos, embora a verdadeira magnitude do impacto do ataque ainda não tenha sido totalmente compreendida', acrescentou Banks. Em mais de 170 mil páginas, os documentos abordam problemas de saúde, a qualidade do ar e a resposta das autoridades de Nova York aos atendidos. A divulgação fez parte de um acordo com o 9/11 Health Watch, um grupo de defesa das vítimas que havia empreendido ações legais para obrigar a cidade a tornar públicos os documentos. 'Durante 25 anos, quatro diferentes administrações municipais ocultaram ao público, ao Congresso dos Estados Unidos e ao ajustamento de documentos que mostraram que a cidade sabia realmente sobre o perigo dos produtos químicos tóxicos no Baixo Manhattan e no oeste do Brooklyn, além da rutura do World Trade Center, mesmo enquanto os funcionários da cidade seguiam transmitindo ao público a mensagem de que o ar era 'seguro e aceitável', afirmou o diretor do grupo, Benjamin Chevat, em um comunicado. Ao ser questionado sobre os nomes dos funcionários que haviam ocultado informações do público, Mamdani respondeu: 'Isso é passado para uma multidão de pessoas em quem os novaiorquinos são confiáveis'. Zohran Mamdani toma posse como prefeito de Nova York AMIR HAMJA / POOL / AFP
CBN