Decisão tomada na Líbia associa o famoso logotipo da Nike à mitologia grega e orienta muçulmanos a boicotar a marca A principal autoridade religiosa da Líbia, a Dar al-Ifta, proibiu muçulmanos de comprar, vender ou usar roupas com o logotipo da Nike.
A decisão tem como justificativa a origem do nome da gigante americana de artigos esportivos, inspirado na mitologia grega. Segundo a instituição, sediada em Trípoli, o nome da marca faz referência à deusa grega da vitória, enquanto o famoso símbolo conhecido como swoosh teria sido inspirado nas asas da divindade.
Para o órgão, utilizar roupas com essa identificação equivale a promover símbolos associados ao politeísmo, crença na existência de mais de um deus, contrariando os princípios do islamismo. A medida foi aprovada pelo Grande Mufti da Líbia, Sadiq al-Gharyani, mas não tem força de lei nacional.
Além da origem do nome da Nike, a Dar al-Ifta acusou a marca de apoiar Israel e defendeu um boicote a empresas consideradas apoiadoras do país. A instituição retomou um comunicado de novembro de 2023, publicado durante a guerra na Faixa de Gaza, que orientava muçulmanos a evitar produtos de companhias ocidentais associadas a Israel.
A BBC procurou a Nike para comentar o caso, mas não havia resposta da empresa nas informações divulgadas. Apesar da orientação, não existe uma proibição estatal de produtos da Nike na Líbia.
A decisão é uma fatwa, parecer religioso que orienta os fiéis sobre questões do direito islâmico, sem necessariamente ter caráter obrigatório perante a legislação do país. O documento também não prevê multas ou punições para quem continuar usando roupas e acessórios da marca.
Em 2025, a Dar al-Ifta já havia se manifestado contra joias e relógios da grife francesa Van Cleef & Arpels. Na ocasião, o motivo foi o desenho de um trevo de quatro folhas, interpretado pela instituição como um símbolo associado a crenças religiosas e à boa sorte.
A nova orientação dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns usuários apoiaram a medida, outros a consideraram uma distração diante de problemas mais urgentes enfrentados pelo país.
O episódio ocorre em meio a outras restrições culturais na Líbia. Em 2025, autoridades locais anunciaram limitações a apresentações de rap, teatro e dança, sob a justificativa de preservar valores religiosos e morais.
Embora a Nike não tenha lojas oficiais no país, seus produtos são encontrados em estabelecimentos esportivos locais. A marca está entre as mais populares do Norte da África, ao lado da Adidas, e também circula na região por meio de produtos falsificados.
Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital.
Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social.
Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias.
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