Uma autoridade dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira à agência de notícias Reuters que há avanços entre Omã e o Irã sobre o restabelecimento da navegação pelo Estreito de Ormuz e que é esperado que um novo acordo seja fechado em breve.
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A autoridade acrescentou que Washington suspenderá o bloqueio aos portos iranianos assim que as embarcações puderem navegar pela via marítima, considerada crucial para o transporte global de petróleo e gás natural, sem impedimentos.
“As ações dos EUA continuarão condicionadas ao desempenho e vinculadas ao cumprimento, pelo Irã, dos compromissos assumidos”, completou a fonte.
Em meio às incertezas do conflito no Oriente Médio, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram nesta sexta-feira o “Acordo Conjunto de Defesa de Meca”, reforçando a cooperação militar entre três importantes aliados sunitas dos EUA.
Com o objetivo de fortalecer a dissuasão coletiva, o pacto estabelece que um ataque armado contra qualquer um dos três países será considerado um ataque contra todos.
O texto, porém, não detalha os compromissos militares assumidos por cada signatário.
A Turquia possui o segundo maior Exército da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Arábia Saudita é a principal potência do Golfo e um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, e o Paquistão é o único país de maioria muçulmana com armas nucleares.
A assinatura ocorreu após uma alta autoridade saudita ter dito na noite de quinta-feira que Riad espera ataques coordenados e iminentes de milícias iraquianas ao norte do país e dos houthis do Iêmen ao sul, sob supervisão da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês).
A Arábia Saudita tem sido alvo de frequentes ataques dos houthis do Iêmen e de milícias iraquianas apoiadas por Teerã.
No fim de julho, o reino realizou ataques em conjunto com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque, após responsabilizá-los por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas.
Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pediu que os países muçulmanos se unam e confiem em suas próprias capacidades diante de "forças externas hostis".
Além disso, o chanceler afirmou que as Forças Armadas iranianas demonstraram seu preparo e sua força ao enfrentar o que chamou de “aparato militar mais caro do mundo”.
Há semanas Teerã e Washington têm enfrentado impasses sobre a administração do Estreito de Ormuz após um período de relativa estabilidade proporcionada por um memorando de entendimento assinado no mês passado por ambas as partes ter chegado ao fim com a escalada de ataques.
Também na quinta-feira, o presidente Donald Trump reiterou a jornalistas que acredita que a guerra com o Irã “vai terminar muito em breve”, mas alertou que as forças americanas “têm quantidades enormes de munição em todo o mundo”.
No fim de semana, o chefe da Casa Branca recuou de uma ofensiva contra Teerã em razão do que ele chamou de perspectivas de avanços em novas negociações.
A Agência semioficial iraniana Fars informou na quinta-feira, porém, que uma comissão do Parlamento iraniano estava analisando um projeto preliminar de lei que proibiria navios dos EUA, de Israel e de outros países considerados "hostis" de transitar por Ormuz.
O projeto, segundo uma fonte parlamentar ouvida pela agência, prevê multas de até 20% do valor da carga das embarcações que descumprirem as restrições propostas.
Além disso, a matéria diz que o texto estaria sendo analisado por especialistas, e o Parlamento do regime teocrático teria convidado técnicos a apresentar recomendações antes que o projeto fosse finalizado.
Na quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as regiões geográficas de uma rota marítima pelo estreito foram acordadas entre Irã e Omã e que um comunicado conjunto está sendo finalizado, desde que não haja “interferência de terceiros”.
Não ficou claro até o momento se os Estados Unidos concordaram com o que foi acordado entre as duas nações.
Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, no fim de fevereiro, Trump anunciou diversas vezes avanços nas negociações, seguidos por desmentidos de Teerã ou pelo fracasso das tratativas.
O presidente americano tem sido pressionado a encerrar o conflito em meio à escalada de preço dos combustíveis no território americano e à proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA, que podem redefinir o controle dos republicanos no Congresso.
Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na quinta-feira mostrou que o número de americanos que esperam que o Oriente Médio mergulhe no caos é três vezes maior do que o daqueles que acreditam que a guerra trará mais estabilidade.
De acordo com o levantamento, cerca de 58% dos entrevistados também disseram esperar uma piora nos preços da gasolina, enquanto apenas 15% esperam uma melhora.
