Fiuk voltou a falar sobre a busca por respostas a respeito da própria saúde e contou que ainda não chegou a um diagnóstico. Quase um mês depois de levantar a possibilidade de estar no espectro autista, o cantor usou as redes sociais para dizer que pretende procurar profissionais especializados na avaliação de autismo e TDAH em adultos. TDAH em adultos: por que o diagnóstico pode demorar? O relato de Isis Valverde ajuda a entender TDAH na gravidez: por que os sintomas podem ficar mais perceptíveis, como no caso de Sabrina Sato "Espectro autista? TDAH? Tudo junto? Ou nenhum deles? Hoje eu tô bem com qualquer resposta. Eu já me aceitei. Agora quero me conhecer de verdade e fazer isso do jeito certo", escreveu. No vídeo, Fiuk também reconheceu que identificar características em si mesmo não é suficiente para chegar a uma conclusão e afirmou que quer passar pelo processo de avaliação adequado. A situação acompanha uma discussão que ganhou espaço nas redes sociais: adultos que começam a questionar se determinadas características presentes ao longo da vida podem estar relacionadas a condições do neurodesenvolvimento. Embora essa percepção possa incentivar a busca por ajuda, a identificação pessoal não substitui uma avaliação clínica. Segundo Damião Silva, psicólogo e neuropsicólogo especialista em Superdotação, TDAH e Autismo, a investigação de TDAH na vida adulta considera mais do que a presença de determinados comportamentos. É necessário reconstruir a história do paciente e observar de que maneira essas características aparecem em diferentes ambientes. "O diagnóstico exige um conjunto de sintomas, uma história que remonta a fases anteriores da vida e impacto em diferentes contextos. Identificar-se com vídeos ou listas de características não significa ter TDAH, porque ansiedade e outras condições também podem produzir sintomas semelhantes", explica. TDAH e autismo podem coexistir? Sim. TDAH e transtorno do espectro autista (TEA) são condições diferentes, mas podem estar presentes na mesma pessoa. Durante a investigação, algumas características podem chamar atenção para uma ou outra possibilidade, como dificuldades de organização, atenção, impulsividade, regulação emocional e interação social. No caso do autismo, a avaliação também considera aspectos relacionados à comunicação e à interação social, além de padrões restritos ou repetitivos de comportamento e particularidades no processamento sensorial. "Para diferenciar essas condições, não podemos olhar apenas para um sintoma. É necessário compreender a história do desenvolvimento, desde a infância, e investigar como essas características apareceram na escola, nas relações, na família e posteriormente no trabalho e na vida adulta", afirma Damião. O pediatra Thiago Castro reforça que a identificação de características isoladas também pode levar a interpretações equivocadas quando se fala em autismo. Para ele, a investigação deve considerar o desenvolvimento como um todo e a persistência de sinais ao longo do tempo. "Mais importante do que procurar um diagnóstico a qualquer custo é conhecer o desenvolvimento esperado para cada fase e investigar quando existem sinais persistentes de que algo não está acontecendo como esperado", avalia. Por que algumas pessoas só investigam na vida adulta? A ausência de uma investigação durante a infância não significa necessariamente que as características tenham surgido apenas mais tarde. Ao longo da vida, algumas pessoas desenvolvem estratégias para contornar determinadas dificuldades, enquanto outras recebem explicações como distração, desorganização, timidez ou inquietação sem passar por uma avaliação específica. No TDAH em adultos, podem aparecer dificuldades relacionadas à administração do tempo, organização, manutenção da atenção, conclusão de tarefas e controle da impulsividade. Também pode haver inquietação mental. Esses aspectos, isoladamente, não permitem concluir que uma pessoa tenha o transtorno. No caso do autismo, a avaliação também é clínica e considera a trajetória individual. Não há um exame de sangue ou um teste único capaz de confirmar o TEA. O processo leva em conta aspectos do desenvolvimento, comportamento, comunicação, interação social e histórico da pessoa. É nesse contexto que a declaração de Fiuk ganha relevância: reconhecer possíveis características em si mesmo pode ser o primeiro passo para buscar informação e atendimento, mas a suspeita não equivale a um diagnóstico. "O objetivo da avaliação não é encaixar a pessoa em um rótulo, mas compreender seu funcionamento. TEA e TDAH podem coexistir, mas também existem outras condições capazes de produzir características semelhantes. Uma avaliação adequada ajuda justamente a diferenciar essas possibilidades e entender quais são as necessidades daquela pessoa", conclui Damião.
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Autismo ou TDAH? Fiuk busca respostas e especialistas explicam como diferenciar
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O Globo
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