O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) escolheu a Rocinha, na Zona Sul do Rio, como cenário para uma das ações mais performáticas de sua campanha.
No sábado, o presidenciável esteve na comunidade e gravou um vídeo na icônica laje Porta do Céu.
Sentado em uma cadeira, de pernas cruzadas, foi filmado por um drone, tendo a favela ao fundo.
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A Rocinha também aparece em outra aposta da campanha: o jingle oficial de Cury, uma adaptação do funk carioca “Rap da Felicidade”, de Cidinho e Doca.
Durante a visita, o candidato vestia uma camisa verde com a frase “Eu só quero é ser feliz”, verso do refrão da música que virou trilha da candidatura.
Na versão adaptada, o jingle incorpora referências à violência, ao medo e à desigualdade nas favelas.
A letra retrata um morador que diz não saber mais o que fazer diante da violência, contrapõe “os ricos” ao “pobre” que vive na favela e, ao final, associa a superação desse cenário à candidatura de Cury.
Se, na campanha, o drone foi usado para mostrar a Rocinha do alto, no plano de governo a tecnologia ganha outra finalidade.
Cury propõe o uso de drones e inteligência artificial como ferramentas de segurança pública.
Na última pesquisa Quaest — a primeira contratada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO —, Cury aparecia com 2% das intenções de voto para a Presidência no primeiro turno, empatado numericamente com Romeu Zema (2%).
O percentual representou uma oscilação positiva de um ponto em relação ao levantamento anterior, mas ainda dentro da margem de erro de dois pontos.
No topo estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 40%.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre segunda e quinta-feira.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A sondagem foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.
Rio no plano econômico de Cury
A visita, porém, ocorre em um momento em que Cury tenta apresentar propostas para além da imagem construída nas redes.
O plano de governo entregue pela candidatura tem cerca de 200 páginas e cita o Rio de Janeiro nominalmente em projetos de desenvolvimento econômico e exportação.
Para as comunidades, há uma proposta nacional que toma uma experiência do próprio Rio como referência.
O documento usa o Rio como referência ao tratar da urbanização de assentamentos informais.
Segundo o texto, a experiência carioca mostrou a importância de tentar integrar as comunidades à estrutura urbana por meio de investimentos em infraestrutura e equipamentos, em vez de considerar simplesmente a remoção desses territórios.
A proposta de Cury acrescenta a essa lógica o que chama de “empreendedorismo em massa”.
O projeto prevê iniciativas de regularização fundiária, urbanização, melhoria habitacional e infraestrutura, além de formação e crédito para pequenos empreendedores.
Entre as medidas está a criação de uma Escola do Empreendedor nas comunidades e do chamado Banco do Empreendedor, destinado a oferecer crédito produtivo.
A meta estabelecida pelo plano é financiar 2 milhões de pequenos empreendedores e negócios em dez anos.
Cury propõe a criação de cinco grandes Zonas Francas de Exportação, distribuídas pelo país de acordo com as vocações econômicas de cada região.
Uma delas seria a Zona Franca do Rio de Janeiro.
Segundo o plano, a unidade fluminense seria voltada para a cadeia do petróleo e gás, indústria naval, metalurgia, robótica industrial e desenvolvimento de sistemas autônomos de alto valor agregado.
O documento também inclui o Rio entre os locais previstos para receber um dos cinco Corredores Estratégicos de Exportação.
A estrutura seria articulada a portos, aeroportos, ferrovias e centros de armazenagem.
O plano prevê ainda novos benefícios tributários para quem exportar e medidas para reduzir obstáculos e custos das operações de comércio exterior.
