Manifestação dos apoiadores de Flávio na avenida Paulista que aconteceu no domingo Reuters/Fraga Alves Na última semana antes do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) devem concentrar esforços em explorar as fragilidades do adversário, em uma disputa onde a redução da rejeição deve ser decisiva. Com poucos dias até a votação, as campanhas tendem a priorizar estratégias capazes de influenciar eleitores indecisos e convencer aqueles que ainda demonstram resistência a um dos candidatos: Lula deve apostar na herança do pai Jair Bolsonaro, enquanto Flávio deve intensificar as redes sociais, após a guinada da equipe petista no digital. A aposta de Lula será combinar viagens a regiões estratégicas na tentativa de associar Flávio a aspectos negativos do legado do governo Bolsonaro. O petista deve participar de um evento sobre distribuição de medicamentos oncológicos. A estratégia busca deslocar o debate da comparação direta entre os dois candidatos para focar na herança política do bolsonarismo, que teve como uma de suas marcas o corte de verba no combate ao câncer, como também o alto número de mortes pela covid-19. Além da diminuição dos recursos, em 2021, Bolsonaro vetou um projeto de lei que previa a obrigatoriedade de planos privados de saúde fornecerem cobertura para tratamentos domiciliares de uso oral contra o câncer. A estratégia é que o PT reforce essas medidas e sugira que Flávio tomará decisões semelhantes. Na semana passada, a campanha petista lançou um novo mote ao se referir ao adversário do PL como “mão de tesoura”, em referência a eventuais cortes em programas sociais, caso eleito. Manifestação dos apoiadores de Lula na praia de Copacabana, também no domingo, no Rio Bruna Prado/AP Photo Internamente, a campanha viu como um “acerto” essa tática do medo de que o candidato pode cortar benefícios, que vem sendo feita nas últimas semanas. Em contrapartida, passou a ressaltar que o Orçamento do governo para 2026, por exemplo, tinha quase R$ 300 bilhões previstos para programas na área social. Para intensificar essa tática, Lula pretende fazer o último ato de seu “pacote de bondades” de apelo popular para as eleições. Nesta semana, está previsto o envio ao Congresso da proposta de emenda à Constituição (PEC) para garantir a gratuidade aos fins de semana no transporte público coletivo em todo o país. Como forma de capilarizar politicamente os últimos anúncios de benesses, e tentar reduzir o seu índice de rejeição, o chefe do Executivo fará uma série de viagens pelo Brasil nesta reta final. A ideia é convencer o eleitor a ir votar no domingo (25). No primeiro turno, a abstenção ultrapassou os 30 milhões, o que gerou um alerta na equipe petista. O presidente planeja ir ao Sul, mas vai focar em Estados do Sudeste e Nordeste, que pesaram para a derrota petista contra Flávio no primeiro turno. Desde a criação do programa Bolsa Família, Lula passou a ter um amplo predomínio político no Nordeste, em particular no sertão, mas perdeu espaço no dia 4. O plano traçado é que Lula faça uma caminhada na capital do Maranhão, São Luís, e marque presença também na Bahia, em uma agenda casada percorrendo Petrolina e Juazeiro. Em 2022, o petista venceu com 72% dos votos no Estado, seu segundo maior desempenho no pleito, atrás apenas do Piauí. Estratégia da campanha petista é intensificar, nesta reta final, uma série de atos em diferentes Estados Por fim, o atual chefe do Executivo deve encerrar sua campanha no Sudeste, em um ato em São Paulo, principal colégio eleitoral do país e seu berço político. Na semana passada, o petista fez atos também no Rio e em Minas. Dos quatro Estados da região, os três citados acabaram com a disputa ao governo no primeiro turno. A partir desse cenário, há um receio de desmobilização dos eleitores. Para isso, a ideia é intensificar os atos presenciais com a estratégia digital lançada nos últimos dias. A campanha aposta na mobilização liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que organizou o “Exército do Lula”, canal no WhatsApp que reúne mais de 5 milhões de seguidores neste segundo turno. A iniciativa distribui orientações para que apoiadores divulguem conteúdos favoráveis ao petista nas redes sociais, e passou a ocupar espaço na estratégia digital da campanha, ampliando o alcance da campanha petista nas ruas. Como forma de reagir à mobilização da esquerda em várias capitais pelo país em apoio a Lula, a campanha de Flávio vai focar na figura do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para chamar manifestações e mobilizar o eleitorado a aderir aos movimentos de rua O parlamentar “influencer” tem feito apelos nas redes sociais, participado de vídeos e lives com Flávio e clamado aos eleitores a se engajarem na campanha. “Vamos mostrar como que faz manifestação nas ruas, é de verde e amarelo, não é de vermelho”, disse Nikolas ao lado do candidato do PL na quinta-feira (15). (ver mais na página A12) O Valor apurou que as manifestações petistas tiveram efeitos positivos para Lula nos monitoramentos internos de intenção de votos do PL. Por isso, a estratégia é intensificar, nesta reta final, uma série de atos em diferentes Estados. A previsão é que Flávio passe por cerca de dez cidades esta semana, com concentração de agendas no Norte e no Nordeste antes de encerrar a mobilização no Sudeste, região que reúne os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais. O roteiro prevê passagens por Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco e Bahia, além de uma possível visita a Tocantins. Na campanha de Flávio principal aposta continuará sendo o tema da segurança pública, com participação de aliados Além do “Blocão 22”, que ocorreu no domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo, também está prevista uma mobilização para sábado (24), véspera do segundo turno, quando o candidato do PL pretende realizar um ato em Belo Horizonte, e encerrar a campanha com uma motociata no Rio de Janeiro, em direção à casa do ex-presidente Bolsonaro. Diferentemente do que aconteceu no primeiro turno, Nikolas e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), têm sido figuras mais presentes na campanha e têm sido considerados essenciais para a estratégia bolsonarista. Tarcísio intensificou as viagens ao lado de Flávio nas últimas semanas, após vencer em primeiro turno a disputa ao Palácio dos Bandeirantes. Após uma semana em que a campanha de Lua teve vitórias importantes, como a aprovação do fim da escala 6x1, o pacote voltado aos microempreendedores individuais (MEIs) e a mobilização em massa das redes da militância petista com o “Exército do Lula”, a campanha de Flávio buscará novamente pautar os debates e temas nesta reta final. A aposta continuará sendo a segurança pública, e para isso, Flávio conta com o senador eleito de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), que foi secretário da área no governo Tarcísio e relatou o projeto de lei antifacção. Ele já tem participado das lives com o candidato e, agora, a ideia é tentar desgastar Lula no tema que é considerado o “calcanhar de aquiles” da esquerda, além de apontar eventuais contradições com posições históricas do PT, como a mudança de tom de Lula em relação à redução da maioridade penal. O foco será em reduzir a distância para o petista no Nordeste apostando em lugares onde Flávio venceu, mas onde houve maior abstenção de votos. Mirando os eleitores que não foram às urnas no primeiro turno, Flávio também buscará atrair esses votos em colégios eleitorais importantes onde ele venceu no Sudeste, como em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, local previsto para o último ato de sua campanha.
Atrás dos indecisos, Lula e Flávio devem explorar fragilidades do adversário
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