Ana Claudia Lomelino bem que tenta encerrar a turnê do disco homônimo “Mãeana canta JG”, em que justapõe canções de João Gilberto, o pai da bossa nova, e hits de João Gomes, o superstar do piseiro. Acontece, porém, que o ponto final do trabalho — anunciado, em agosto, num show no Circo Voador — sempre dá um jeito de se transformar em vírgula. Por enquanto, “Chega de saudade”: a realidade é que, na noite desta sexta-feira (18), a artista estará no palco do Rio Gastronomia, no Jockey Club, enfileirando o repertório do álbum, lançado em 2024. Até quando seguirá assim? A resposta, bem, são reticências. 'Efeitos especiais' e maratona: Como são os bastidores de 'Wicked', fenômeno do teatro musical no país Expressão da vez: Entenda por que a gíria 'farmar aura' inspira campeonatos entre jovens em todo o país — Já falo de despedida há um tempo, mas os convites não param — diz. — E parece que para sempre, de vez em quando, esse show vai me visitar em algum palco por aí, como se fosse um livro que a gente gosta de reler um tempo depois.
Galerias Relacionadas Mãeana, para quem não a conhece, é o codinome que Ana Claudia escolheu para si há pouco mais de uma década. A alcunha da carioca nascida na Tijuca surgiu pouco depois de ela dar à luz o primogênito Dom, de 14 anos, fruto do relacionamento com o músico Bem Gil (os dois também são pais de Sereno, de 9). Numa viagem à Bahia, entre os cuidados constantes com o bebê, um colega a apelidou de “mãeaninha”, termo que logo assumiu a forma atual e batizou, em 2015, o primeiro disco solo da artista, ex-vocalista da banda Tono. Daí em diante, virou, então, uma nova identidade. — Não gosto dessa coisa de o nosso nome ser escolhido muito antes de a gente ter voz para protestar, embora tenha dado o nome dos meus filhos com todo o amor do mundo. Sentia que precisava deixar de ser Ana Claudia para me libertar das crenças limitantes que circulavam na minha fundação — repassa. — Desejei de fato algo mais lunático e fabuloso para nomear minha “adulta”. Acho lindo o hábito de chamar mulheres admiráveis de “mãe” ou “mami”. Na Bahia, se você está com uma criança do lado, qualquer um te chama de “mãe”. Isso enche meu coração de amor, porque acho “mãe” a palavra mais bonita do português. Uma artista que ‘habla’ As invencionices não se restringem ao substantivo próprio. Mãeana gosta de falar. E fala, sim, sobre diversos assuntos, das banalidades do cotidiano à ufologia (“Essa talvez seja a coisa que mais me dá prazer no mundo, e acredito que cada vez mais consciências extraterrestres são canalizadas por seres humanos do mundo todo trazendo mensagens muito assertivas”, sublinha).
Mãeana fala tanto, e por vezes sem filtro, que seu nome rondou praticamente todas as páginas de fofoca em redes sociais nas últimas semanas. Explica-se: numa entrevista ao videocast “Desculpincomodar”, ela citou uma mágoa com o sogro Gilberto Gil, que a comparou, certa vez, à banda Los Hermanos, e disse que cria os filhos “sem pressão”, já que ambos são “herdeiros”. Diante da suposta polêmica — “uma história engraçada, pessoal”, como minimiza —, ela dá de ombros. “Falem mal, mas falem de mim”, ironizou, num post no Instagram. E fim de papo. Ou não.
Nos palcos, Mãeana também “habla”, gíria usada pela juventude acerca de quem distribui opiniões com convicção. No show que integra a programação do Rio Gastronomia — evento que até 4 de outubro receberá atrações como Ferrugem, Silva, Pretinho da Serrinha, Marcelo D2 e Blitz, entre outras —, ela menciona uma frase de Miúcha, lê um pequeno texto de Gibran Khalil Gibran, alerta sobre os reveses do amor romântico... E fala mais e mais e mais. — São coisas que fui incluindo e não consegui mais tirar — explica ela. — Tudo isso convive comigo e está entranhado em mim. Novo ritmo à vista Ao colocar lado a lado a obra de João Gomes e João Gilberto — e selecionar, rearranjar e interpretar, à maneira sussurrada de seu canto, letras como “Insensatez”, “Meu pedaço de pecado”, Meditação” e “Mete um block nele” —, Mãeana ecoa sentidos não necessariamente dados originalmente. Coisa parecida ela fez em 2018, com uma série de shows em que entoava sucessos de Xuxa, cujas músicas a fizeram ter “a primeira visão ecológica e mágica do mundo”, como rememora. Está aí, nessa reconfiguração do que já existe, um ato essencialmente de criação, como ela defende, na contramão do senso comum. —A autoria é um tema polêmico dentro de mim. Gosto de ficar imaginando como seria a música sem isso e em como as letras poderiam circular livremente, como entidades em si, como acontece às vezes com cantos de umbanda que ninguém sabe quem compôs — ela conjectura. — É utópico. Mas do ponto de vista do “aqui e agora” somos todos cocriadores. Talvez pensar assim seja apenas um mecanismo inconsciente para lidar com o fato de que a inteligência artificial nos roubará tudo. Mesmo assim, sinto-me criadora o tempo todo. A interpretação é uma cocriação.
A cantora Mãeana, alcunha artística de Ana Claudia Lomelino, em show do álbum 'Mãeana canta JG' Alfamor/Divulgação Desse jeito, eureka!, ela descobriu o gênero da “pisa-nova”, como se refere à tal mistura de piseiro e bossa nova evocada em “Mãeana canta JG”. O ritmo, aliás, será o centro de um novo trabalho. A cantora vem pedindo boleros inéditos a “grandes compositoras”, como revela (“A pisa-nova segue, na prática, a célula rítmica do arrocha, que deriva do bolero, com instrumentos da dita MPB”,detalha). Aos poucos, a novidade deve ganhar corpo em shows com cenários e figurinos coloridíssimos, embalados pela voz que parece um cochicho, marca maior da artista, como a própria reconhece: — Como numa “santíssima trindade”, que é o que acontece em toda contradição, existe uma coisa minimalista no canto, uma coisa maximalista na estética, e, no meio, eu.
O Ministério da Cultura, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Cultura, através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura – Lei do ISS, o Sesc RJ e o Senac RJ apresentam o Rio Gastronomia 2026. O evento conta o Governo do Estado do Rio de Janeiro como estado anfitrião e com a Cidade do Rio de Janeiro como cidade anfitriã; patrocínio master de Claro, Banco do Brasil e Elo e 99Food; patrocínio de Stella Artois, PRIO, Maturatta, Light, Secretaria Municipal de Cultura, através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura – Lei do ISS ; apoio da Sulamérica, Rede D’Or, Naturgy, Prezunic, Garrafaria, Água Pouso Alto, Président, Batavo, Cielo, Chandon, Seara Gourmet, Coca-Cola, Matte Leão, Sabores de Visconde de Mauá, Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, Sebrae, Governo do Amapá e Fecomércio, TV Globo, Ipiranga, e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Sececrj); participação de café Três Corações, Frescatto, Aperol, Granfino, Granado, Nova Rio, Cachaça 51, Limppano e Prefeitura de Maricá; Shopping Oficial Rio Sul; Cia Aérea Oficial Gol Linhas Aéreas; Hotel Oficial Fairmont Rio; Parceiro ESG magikk; Parceria do SindRio; Produção RKF e Lanikai; Rádio Oficial CBN e Rádio Globo, Parceiro de Mídia Eletromídia, Assessoria de imprensa In Press. A realização é do GLOBO através do Ministério da Cultura.
O Globo