Ator Paulo Guerra sofre ataques homofóbicos na web e denuncia: "Internet não é terra sem lei"

Ator Paulo Guerra sofre ataques homofóbicos na web e denuncia: "Internet não é terra sem lei"

Fonte: Bandeira



O ator e cineasta Paulo Guerra, de 36 anos, contou estar sendo alvo de ataques homofóbicos há mais de um mês na web.

Conhecido por suas esquetes com o namorado, Vitor Chaves, no Instagram, o artista realizou sua primeira "publi" na rede social, que acabou gerando comentários de ódio contra sua orientação sexual.


"Em um primeiro momento, eu ignorei.

Porém, há um mês isso vem acontecendo repetidamente ['Boca de piroc*', 'Que Bichona, vai filmar uma bucet*' e 'Você é um v%&ad1nho mesmo e de merda por sinal' são alguns dos comentários que Paulo divulgou em prints].

Só ontem eu decidi parar e encarar a situação.

Quando li tudo, eu pude compreender o nível absurdo de violência que eu estava sofrendo todo esse tempo.

Além de criminoso, é nojento.

Pensei muito antes de tornar isso público, porque quem comete esse tipo de crime ainda tenta nos invalidar e minimizar o quão grave é, reafirmando a intenção de nos humilhar e nos desumanizar", desabafou.

O ator confessou que seu silêncio poderia de alguma forma consentir esse e outros ataques: "Ao perceber a seriedade da situação, entendi que o meu silêncio só serviria para deixar essas pessoas confortáveis e continuarem cometendo mais crimes, não só comigo, mas com outras pessoas também.

Também parei para pensar na quantidade de mortes que acontecem, adolescentes espancados até a morte, violências físicas e psicológicas que, inclusive, levam pessoas a tirarem a própria vida por causa do discurso de ódio, humilhação, perseguição.

Pessoas inocentes morrendo, mães e pais perdendo seus filhos por conta do ódio alheio."

Além da exposição do caso por meio das suas redes, Paulo contou que fará uma denúncia formal aos órgãos responsáveis: "Comecei a me questionar sobre a lei, porque é um crime inafiançável, equiparado ao crime de racismo, e me assustou como as pessoas ainda sentem coragem de se manifestar dessa forma.

Por isso, já estou com os prints, vídeos e preparando o material para apresentar à polícia civil e depois ao Ministério Público, para que a justiça cumpra o papel dela de forma efetiva."

Por fim, ele reforçou que irá seguir firme na luta contra a homofobia e deixou um recado: "A internet não é terra sem lei.

E não há quem se esconda.

Preconceito não é liberdade de expressão, é crime.

Eu sou um ser humano e mereço respeito, assim como respeito a todos.

Eu faço essa denúncia por mim e por todos que sofrem qualquer tipo de violência e preconceito.

Não há espaço na sociedade para homofóbicos, racistas, misóginos.

O meu ato é de coragem, resistência e para incentivar que as pessoas, homens, mulheres, jovens não se calem diante de qualquer crime que estejam sofrendo.

Denunciem!"

Vitor Chaves e Paulo Guerra

Divulgação