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Ator de '12 anos de escravidão', Chiwetel Ejiofor fala de ‘Backrooms’, dirigido por jovem de 19 anos

 

Fonte: Bandeira



A ideia de lenda urbana muitas vezes é vinculada a algo de um passado muito distante, uma história repetida ao longo dos séculos até se tornar parte do inconsciente coletivo. Mas isso não é uma regra. Hoje em dia, uma lenda urbana frequentemente nasce de outras maneiras, como é caso dos chamados “Backrooms”, universo paralelo que nasceu no Reddit, cresceu no YouTube e agora chega aos cinemas.

Uma publicação sem autoria clara no Reddit, em 2019, apresentou uma foto perturbadora de um cenário que se assemelhava a um escritório vazio, com carpete, paredes amareladas e iluminação fluorescente. Em poucos dias, a imagem acumulou milhares de acessos e comentários, gerando um número infinito de teorias. Usuários da rede, então, passaram a expandir o universo, criando diferentes ambientes nos “Backrooms” e desenvolvendo ameaças que percorriam aquelas salas.

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Em 2022, aos 16 anos, Kane Parsons, de Petaluma, na Califórnia, compartilhou no YouTube um vídeo de nove minutos em que simulava imagens de arquivo dos “Backrooms” que teriam sido encontradas numa fita VHS. Desde então, o vídeo recebeu 78 milhões de visualizações, ganhou continuações e chamou a atenção do prestigioso estúdio A24, que confiou a Parsons, já com 19 anos, a missão de dirigir uma versão cinematográfica “Backrooms: um não lugar”, filme que chega hoje aos cinemas e reúne no elenco os atores indicados ao Oscar Chiwetel Ejiofor (“12 anos de escravidão”) e Renate Reinsve (“Valor sentimental”).

— Não conhecia a lenda dos “Backrooms”, mas, assim que vi a série de vídeos no YouTube, fiquei sem palavras. Depois, lendo o roteiro, fiquei fascinado por este personagem — conta o britânico Ejiofor. — É um filme difícil de descrever. Vejo como uma jornada psicológica na mente de alguém que está questionando sua noção de realidade.

Cenários reais

Na trama, o ator vive um recém-divorciado que é dono de uma loja de móveis. Enquanto tenta lidar com seus problemas na terapia, ele descobre uma dimensão além da realidade no subsolo de sua loja. Fascinado pelo ambiente, uma imensidão de salas de paredes amarelas, ele passa a explorá-lo todos os dias até que começa a descobrir que ameaças rondam o local.

Um dos grandes trunfos do filme está no uso de cenários reais. A produção criou cerca de 2.700 metros quadrados de salas e corredores dos “Backrooms”, sendo fundamental para a imersão do elenco nesse universo.

Em entrevista ao GLOBO via Zoom, Ejiofor se diverte ao perceber que seu diretor, hoje com 20 anos, nem era nascido quando ele estrelou alguns dos principais projetos de sua carreira, como “Amistad” (1997), de Steven Spielberg, e “Simplesmente amor” (2003), de Richard Curtis. O ator garante, no entanto, que a pouca idade do diretor pouco interferiu na produção.

— O que você espera de qualquer diretor é que ele tenha compreensão e domínio completos do mundo que está criando. Antes da primeira conversa sobre o projeto, as pessoas me alertaram que ele só tinha 19 anos. Mas após cinco minutos de papo já ficou claro que ele não era um aventureiro. Era alguém que queria falar sobre trabalho e desenvolvimento do personagem. A idade não foi uma questão depois disso — lembra.

Além da parceria com o jovem realizador, o ator destaca a oportunidade de trabalhar em cena com Renate Reinsve.

— Já era um admirador do trabalho dela desde “A pior pessoa do mundo”. Depois, com “Valor sentimental”, foi uma performance incrível de assistir. O que ela entrega na tela é algo realmente impressionante. Tem profundidade e muito carisma, foi um prazer muito grande trabalhar com ela — afirma.

Casa de Eggers e Ari Aster

Com orçamento de apenas US$ 10 milhões, “Backrooms: um não lugar” é visto como uma das apostas do ano para as bilheterias cinematográficas. A expectativa de analistas de mercado é para um faturamento entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões apenas em seu primeiro final de semana, reafirmando a A24 como importante casa do terror independente nos EUA. O estúdio ficou conhecido por obras como “A bruxa” (2016) e “Midsommar — O mal não espera a noite” (2019), que impulsionaram as trajetórias de outros jovens realizadores, como Robert Eggers e Ari Aster.