Atentados terroristas acontecem perto da capital da Argélia durante visita do Papa Leão XIV ao país, dizem fontes

 

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Enquanto o Papa Leão XIV parte de Argel, capital da Argélia, para a cidade de Annaba nesta terça-feira, onde seguirá os passos do teólogo Santo Agostinho em seu segundo dia de uma histórica visita ao continente africano, fontes argelinas confirmaram que dois ataques terroristas com homens-bomba foram registrados nas imediações da capital na segunda-feira, quando o Pontífice iniciava suas atividades no país.

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— Houve dois incidentes de segurança ontem à tarde em Blida, incidentes de natureza terrorista. Dois homens-bomba se explodiram e morreram — disse a fonte à AFP uma fonte ouvida em anonimato na terça-feira, referindo-se à cidade localizada a cerca de 45 km a sudoeste de Argel, confirmando confirmando imagens de vídeo verificadas pela agência francesa.

O Pontífice americano-peruano tornou-se o primeiro Papa a visitar a Argélia na segunda-feira, primeira parada de sua viagem por quatro países africanos. Nesta terça, em Annaba — antiga cidade romana de Hipona, lar de Agostinho, cuja obra "Confissões" é um trabalho fundamental na tradição cristã —, Leão visitará os vestígios do passado histórico da cidade, bem como um centro para idosos carentes administrado por freiras católicas. À tarde, celebrará a missa na Basílica de Santo Agostinho na presença de clérigos de toda a África.

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Para entender por que Leão XIV decidiu viajar para a África menos de um ano após o início de seu papado, é preciso considerar um dado central: atualmente, um em cada cinco católicos do mundo vive no continente. A viagem de 10 dias começou incluirá visitas a Angola, Camarões e Guiné Equatorial. Com exceção da Argélia, que é predominantemente muçulmana, os demais países abrigam populações católicas expressivas, o que reforça a relevância da escolha.

Em um movimento que sinaliza a crescente importância da região para a Igreja Católica, o pontífice optou por priorizar a África antes de visitar seu país natal ou a América do Sul, onde passou duas décadas de sua trajetória antes de assumir o papado.

Ainda assim, o Papa não passará pelas maiores populações católicas do continente, concentradas na Nigéria e na República Democrática do Congo. Assim como seu antecessor, o Papa Francisco, Leão XIII direciona sua atenção às chamadas “periferias” da Igreja, consideradas estratégicas para seu crescimento futuro.

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Ao longo da agenda, o pontífice se reunirá com líderes políticos, visitará orfanatos, lares de idosos e prisões, além de celebrar missas em diferentes locais. Também deve abordar temas que ultrapassam as fronteiras nacionais, como a relação entre cristianismo e islamismo na África, a concorrência de igrejas protestantes e pentecostais e debates internos do catolicismo. Entre eles, uma iniciativa de Francisco para permitir que padres abençoem casais do mesmo sexo e os esforços para lidar com a poligamia, prática comum em vários países africanos.

Por que a África é uma das principais prioridades de Leão?

A África permanece como o continente mais pobre do mundo e um cenário onde, historicamente, investidores estrangeiros exploraram trabalhadores em condições de vulnerabilidade. Ao escolher o continente como destino, o Papa sinaliza a urgência de sua atenção aos fiéis mais fragilizados.

Uma catedral em Yaoundé, Camarões, neste mês. Em Camarões e na Guiné Equatorial, o papa se encontrará com dois dos líderes autoritários há mais tempo no poder na África

Daniel Beloumou Olomo/Agência France-Presse — Getty Images

— A África é muito rica em recursos naturais e humanos, mas pobre socioeconomicamente — disse o padre Chidiebere Obiora Nnabugwu, doutorando em história católica na África pela Universidade de Leuven, na Bélgica. — Portanto, será muito interessante para o Papa falar sobre isso.

O pontífice também demonstra estar atento ao fato de que os cristãos africanos têm, hoje, diversas alternativas religiosas além do catolicismo. Denominações protestantes e igrejas pentecostais têm ampliado sua influência, especialmente entre os mais jovens.

— Cada vez mais jovens estão se conectando com as tecnologias, fazendo todo tipo de coisa maravilhosa, sonhando, sendo empreendedores e buscando oportunidades — disse Ebenezer Obadare, pesquisador sênior de Estudos Africanos no Conselho de Relações Exteriores em Washington. — Como inserir a mensagem da Igreja Católica nisso?

Como Leão lidará com reuniões com pessoas autoritárias?

Em Camarões e na Guiné Equatorial, o Papa encontrará dois dos líderes autoritários mais longevos do continente. Parte dos fiéis espera que ele adote um discurso mais direto em defesa da democracia durante esses encontros.

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De forma geral, no entanto, especialistas em Vaticano destacam que papas tendem a evitar intervenções diretas na política interna dos países.

— Não é assim que o Vaticano funciona — disse Massimo Faggioli, professor de teologia no Trinity College Dublin. — Você pode até se sentir satisfeito falando contra o ditador local, mas quem paga o preço são aqueles que permanecem no poder.

Papa João Paulo II com o presidente Augusto Pinochet do Chile em 1987

Aníbal Solimano/Reuters

Um precedente frequentemente citado é a viagem do Papa João Paulo II ao Chile, em 1987. Na ocasião, ele classificou o presidente Augusto Pinochet como "ditatorial" durante declarações à imprensa, mas, já no país, rezou com o líder e fez apenas um apelo genérico à democracia em um "futuro não muito distante". Líderes da Igreja afirmam que estarão atentos a sinais sutis semelhantes por parte de Leão.

— Há muitas maneiras de falar com as autoridades — disse o bispo Matthew Hassan Kukah, que supervisiona a diocese de Sokoto, no noroeste da Nigéria. — Você não precisa necessariamente apontar o dedo para elas, mas existe uma maneira diplomática de mostrar às pessoas que as coisas podem ser feitas de forma diferente.