Ataque da Rússia mata 33 pessoas em vilarejo da Ucrânia, diz Zelensky

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Fonte da notícia: Valor Valor

Pelo menos 33 pessoas morreram depois que forças russas bombardearam, na segunda-feira, uma escola usada como ponto de distribuição de ajuda humanitária em um vilarejo próximo à linha de frente na região de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky.

Acredita-se que cerca de 50 pessoas ainda estejam soterradas após o ataque ao vilarejo de Komyshuvakha, disse Zelensky nesta terça-feira, durante uma entrevista coletiva em Berlim ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz. Zelensky havia afirmado anteriormente que as forças russas lançaram inicialmente bombas aéreas contra a escola, que era usada como abrigo e para a distribuição de assistência humanitária todas as segundas-feiras.

Não havia aulas na escola, disse ele, porque o vilarejo, localizado a sudeste da principal cidade da região, também chamada Zaporíjia, ficava muito próximo da linha de frente da guerra, que já dura quatro anos e meio. "Os russos atacaram primeiro justamente quando as pessoas estavam chegando — algumas bombas aéreas", afirmou.

"Depois houve um segundo ataque — mais bombas aéreas, desta vez contra o abrigo. Um ataque terrorista vil."

Zelensky disse que os russos não poderiam desconhecer que os moradores que permaneciam em Komyshuvakha se reuniam semanalmente para receber pacotes de ajuda humanitária. Dois integrantes de uma equipe de resgate e quatro policiais estavam entre os mortos, informaram os serviços de emergência, depois que a Rússia realizou um ataque em duas etapas contra o mesmo local.

Dois socorristas estavam entre as pessoas levadas ao hospital para receber tratamento. Rússia e Ucrânia negam atacar deliberadamente civis no conflito.

O Ministério da Defesa russo afirmou que o ataque teve como alvo unidades militares ucranianas em áreas próximas a Komyshuvakha e a outros dois assentamentos na região de Zaporíjia. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o ministério afirmou que até 25 militares ucranianos foram mortos e que 15 veículos e uma estação de guerra eletrônica também foram destruídos.

Em agosto, observadores da ONU afirmaram que o número de vítimas havia aumentado acentuadamente em relação ao ano anterior, acrescentando que mais civis foram mortos ou feridos na guerra na Ucrânia em julho do que em qualquer outro mês desde março de 2022. Zelensky afirmou que o ataque demonstrou que Moscou está empenhada em matar pessoas, em vez de dar continuidade à missão humanitária realizada na última semana na cidade de Oleshky, no sul do país, mediada pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump.

"Os russos continuam demonstrando, repetidamente, seu ódio pela Ucrânia e por tudo o que existe aqui", afirmou. "Se a Rússia realmente quisesse reduzir as tensões, havia uma oportunidade, após a situação em Oleshky, de continuar adotando medidas humanitárias.

Nós propusemos isso. Mas a Rússia continua matando pessoas."

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também condenou o ataque nesta terça-feira. "Mais um ataque russo bárbaro e cínico", afirmou.

"A crueldade da Rússia não conhece limites, e seu desprezo pela vida humana não tem justificativa moral." Mais cedo, Sybiha, citando o ataque, pediu que os países rejeitassem a participação da Rússia em competições esportivas de alto nível, após uma decisão da mais alta corte esportiva determinar a reintegração do país aos principais torneios.

"A Rússia merece condenação, isolamento e consequências, não um retorno à respeitabilidade internacional", escreveu Sybiha na rede social X. "Seus crimes não podem ser separados de sua bandeira, de suas seleções nacionais ou de suas tentativas de recuperar a legitimidade internacional."

Regina Kharchenko, secretária do Conselho Municipal de Zaporíjia, afirmou que 27 pessoas estavam desaparecidas após o ataque. A polícia da região de Zaporíjia informou que agentes e equipes de resgate tentavam chegar até moradores que se acredita estarem presos sob os escombros.

Fotografias publicadas na internet mostravam escombros ainda fumegantes espalhados por toda a área. O ataque ocorreu um dia após o término de um cessar-fogo local de seis dias, estabelecido para permitir a entrada de ajuda humanitária em Oleshky, a sudoeste, na região de Kherson, e a retirada de moradores que desejassem deixar a cidade.

Em Washington, uma autoridade americana de alto escalão disse à Reuters que os Estados Unidos reunirão delegações da Ucrânia e da Rússia em Abu Dhabi, nos dias 10 e 11 de novembro, para discutir medidas destinadas a encerrar a guerra, acordos de segurança para o período pós-guerra e a redução das tensões.

Os negociadores americanos vêm buscando um avanço antes do inverno no conflito prolongado. As últimas negociações de paz mediadas pelos EUA ocorreram em fevereiro, antes de os americanos e Israel iniciarem uma guerra contra o Irã.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky Reuters/Valentyn Ogirenko

Publicação Original Valor valor.globo.com
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