A Rússia voltou a atacar a Ucrânia nesta terça-feira após o fim da breve trégua na região de Kherson, no sul ucraniano. De acordo com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, os bombardeios deixaram ao menos 73 feridos no país.
Do lado russo, o prefeito de Moscou relatou que os sistemas de defesa interceptaram 493 drones que iam em direção à capital russa. Apesar da nova troca de ataques, o Kremlin anunciou que novas negociações diplomáticas com Kiev e Washington everão acontecer em 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi.
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Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Segundo o chefe de administração de Kharkiv, Oleh Syniehubov, o ataque atingiu uma passagem entre edifícios do complexo hospitalar.
De acordo com o presidente ucraniano, 73 pessoas ficaram feridas, 226 pacientes foram transferidos para outras unidades e saúde e o departamento de cardiologia foi destruído no ataque. O prefeito Igor Terekhov afirma que a cidade foi alvo de um ataque combinado com mísseis balísticos e bombas aéreas guiadas.
O Exército ucraniano também relatou o lançamento de mísseis contra outras regiões, incluindo a capital Kiev, Dnipro e Sumy. Em Dnipropetrovsk, o governador Oleksandr Ganzha afirmou que infraestruturas críticas foram atingidas em Dnipro e em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelensky.
A escalada levou a Polônia a acionar seus sistemas de defesa aérea para proteger o espaço aéreo próximo à fronteira com a Ucrânia. Os ataques foram feitos poucos dias após o fim do cessar-fogo em Kherson.
A trégua, encerrada no domingo, permitiu a entrada de uma missão humanitária na cidade de Oleshky, sob ocupação russa. Horas após o fim da suspensão dos ataques, a Rússia lançou ataques contra a região de Zaporizhzhia e matou, pelo menos, 29 pessoas e deixou outras 5 feridas, de acordo com Zelensky.
Os novos ataques entre Rússia e Ucrânia acontecem enquanto os Estados Unidos realizam as eleições de meio de mandato, que são cruciais para o presidente Donald Trump, que vem pressionando os dois para interromperem os ataques contra as infraestruturas energéticas. Nas redes sociais, o líder ucraniano afirmou que ainda há pessoas nos escombros e que "as operações de resgate continuam na medida em que a situação de segurança permite", pois, ainda segundo ele, "há uma ameaça de ataques duplos russos, como eles sempre fazem de forma tão perversa".
Zelensky também informou que no ataque da madrugada, a Rússia lançou 289 drones de ataque, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro. Do lado russo, o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou a defesa aérea russa derrubou 493 drones que estavam em direção à capital.
— Entre 20h30 de 2 de novembro e 7h30 de 3 de novembro, 493 drones voaram em direção à região de Moscou. A maioria foi destruída pelo sistema de defesa aérea russo — escreveu o prefeito de Moscou no Telegram.
Nova tentativa para o fim da guerra A intensificação dos ataques acontece enquanto os Estados Unidos tentam reativar os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
Nesta terça-feira, o Kremlin confirmou que uma delegação russa participará em Abu Dhabi de novas negociações trilaterais com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos. De acordo com o enviado americano Steve Witkoff, a delegação será novamente chefiada pelo negociador Vladimir Medinski, responsável por representar Moscou nas rodadas anteriores de diálogo.
— Sim, posso confirmar a data. Uma delegação russa viajará a Abu Dhabi, nos dias 10 e 11 de novembro, e participará das negociações trilaterais — disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
Luto: Brasileiro de 22 anos morre em combate na guerra da Ucrânia; irmã relata dificuldades para recuperar corpo De acordo com Witkoff, representantes dos Estados Unidos também vão estar em Bruxelas para reuniões com autoridades da França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e Otan sobre possíveis garantias de segurança para a Ucrânia.
As negociações para tentar acabar com a guerra, que é a mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, estão paralisadas devido a divergências. Moscou exige que as tropas ucranianas deixem a região de Donetsk, no leste do país, condição rejeitada por Kiev, que afirma que a retirada deixaria outras áreas vulneráveis a futuros ataques russos.
O Globo