Ao divulgar o documentário brasileiro "Yanuni", do qual é produtor, Leonardo DiCaprio denunciou a devastação e a contaminação dos rios provocadas pela mineração ilegal de ouro no Xingu e afirmou que a prática é um ataque a sobrevivência das comunidades indígenas. Astro passou seis dias no Brasil para uma agenda dedicada à causa ambiental na última semana. Veja como foi: Leonardo DiCaprio cumpre maratona ambiental no Brasil e se reúne com Raoni e Lula Você acertaria as questões do Pisa? Faça o teste “A destruição causada pela mineração ilegal de ouro na Amazônia não para nas árvores. As operações liberam mercúrio nos rios, contaminando os peixes que as pessoas comem e a água que bebem, causando danos duradouros à saúde humana. A jusante, as populações de peixes continuam a cair e as estações secas continuam a aumentar”, escreveu o ator nas redes sociais.
DiCaprio ainda afirmou que, para as comunidades do Xingu Médio, no Brasil, a prática do garimpo representa um ataque à alimentação, aos remédios e à sobrevivência. O documentário foi lançado gratuitamente no sábado (5) no YouTube, Dia da Amazônia, e acompanha a trajetória de Juma, uma liderança indígena que atua na defesa de seu território e dos direitos de seu povo. Passagem pelo Brasil Na última semana, o ator esteve no Brasil para uma discreta agenda dedicada à conservação ambiental, com visitas a projetos e comunidades da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal apoiados por sua ONG, a Re:wild. A viagem de seis dias começou pela Amazônia, passou pelo Pantanal e terminou no Cerrado. Além de percorrer os três biomas, DiCaprio visitou o cacique Raoni, personagem de um documentário em fase final de produção. DiCaprio também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros para discutir proteção de ecossistemas, biodiversidade e territórios indígenas. O encontro com o presidente teve a presença da primeira-dama, Janja, e dos ministros João Capobianco, do Meio Ambiente, Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Margareth Menezes, da Cultura. Segundo a Re:wild, a conversa tratou da proteção de ecossistemas, biodiversidade e territórios indígenas, além da garantia dos direitos dos povos originários. Janja publicou fotos do encontro nas redes. Cinco espécies ameaçadas O programa que coloca o Brasil entre as prioridades da Re:wild foi lançado há um mês em parceria com a Bezos Earth Fund, fundação de Jeff Bezos. Batizado de Phoenix Species Project, o projeto recebeu aporte inicial de US$ 200 milhões, cerca de R$ 1,03 bilhão, para apoiar iniciativas de conservação das espécies mais ameaçadas do mundo. Cinco delas estão no Brasil: a rolinha-do-planalto, o tiê-sangue, o muriqui-do-norte, a perereca-de-capacete e o sapinho-da-restinga. Acompanhado pelo biólogo Wes Sechrest, cofundador e CEO da Re:wild, pelo diretor da organização no Brasil, Rodrigo Medeiros, e pelo diretor para a América Latina, Chris Jordan, DiCaprio esteve no sábado no Instituto Raoni, em Peixoto de Azevedo (MT), onde se encontrou com o cacique. Raoni é o personagem central do documentário “Raoni: a voz da floresta”, produzido por DiCaprio e em fase de finalização. O filme contará a trajetória do cacique, de 94 anos, e sua campanha internacional pela proteção dos territórios, das culturas e das florestas indígenas. DiCaprio será o narrador da produção, que tem parceria do Globoplay/Globo Filmes. Na região, a Re:wild também apoia a criação do Fundo Legado Cacique Raoni, liderado pelo Instituto Raoni. A iniciativa busca proteger mais de 2 milhões de hectares de terras indígenas Kayapó. No Alto Xingu, DiCaprio voltou à comunidade Yawalapiti, que havia visitado pela primeira vez em 2004. Ao lado do cacique Tapi Yawalapiti e de outras lideranças, conheceu ações de proteção ambiental e cultural do território, prevenção de incêndios e desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis. A delegação seguiu para Novo Progresso (PA), no Sul da Amazônia, onde visitou o Instituto Libio, no Rio Azul. Ali, a Re:wild e parceiros brasileiros apoiam o Escudo Sul da Amazônia, iniciativa que busca proteger 5,8 milhões de hectares de floresta no chamado “arco do desmatamento”. No Pantanal, a organização integrou a coalizão internacional que apoiou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e da Estação Ecológica de Taiamã. O grupo visitou o Caiman, pousada e reserva privada que reúne projetos de conservação e pesquisa, e a Fazenda Santa Tereza, integrante do Corredor do Alto Pantanal. Também se reuniu com parceiros dedicados à proteção de onças-pintadas e outras espécies, liderados pelo Onçafari. A última etapa foi no Cerrado, na Fazenda Trijunção, que tem projetos de restauração ecológica, monitoramento da fauna e turismo. A propriedade protege cerca de 30 mil hectares de vegetação nativa em uma região de expansão da fronteira agrícola. O corredor ecológico integrado pela fazenda abriga lobos-guarás, tamanduás-bandeira, antas, onças-pintadas e outras espécies. Em todo o mundo, a Re:wild trabalha atualmente com mais de 600 parceiros, apoiando a conservação de aproximadamente 239 milhões de hectares e ações que beneficiam mais de 36 mil espécies. No Brasil, são mais de 50 organizações parceiras.
O Globo