Assistente odontológica brasileira presa nos EUA nega ter tratado canal de paciente

 

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A assistente odontológica brasileira Ana Cristina Amato, de 49 anos, que acabou presa em Nova Jersey (EUA) sob a acusação de agressão agravada e exercício ilegal da odontologia, negou em entrevista ao PAGE NOT FOUND ter iniciado um tratamento de canal de um paciente (cujo nome manteremos em sigilo), conforme consta da acusação.

Segundo Ana Cristina, que também tem passaporte americano, ela higienizou a área do primeiro molar inferior esquerdo, que apresentava uma lesão, e a cobriu com um curativo, informando ao paciente, que também é brasileiro, que ele deveria procurar um dentista especializado para fazer o tratamento adequado, conforme a radiografia havia indicado. De acordo com o relato do paciente, que, segundo Ana Cristina, está em situação ilegal nos EUA, a assistente teria aplicado anestesia e perfurado um dente dele, interrompendo em seguida o procedimento.

"Trabalho aqui há mais de 20 anos. Nunca falei que sou dentista. Não dei anestesia e não tratei esse dente. Limpei o dente dele com antibactericida, sem agulha. A dor que ele estava sentido já era a do dente", afirmou Ana Cristina.

Ana Cristina declarou ter feito um curso de assistente odontológica nos EUA, que lhe confere o direito de fazer limpeza e outros procedimentos, como o de clareamento dental.

Antes de abraçar a carreira de assistente odontológica, Ana Cristina contou ter trabalhado como babá e faxineira nos EUA. Até emigrar, em 2000, a paulista trabalhava no setor de cartões de crédito. Ela permaneceu em situação ilegal nos EUA por três anos, até se casar com um americano, com quem ela ficou por sete anos. A brasileira se casou novamente em 2013, com um ítalo-americano, com quem tem dois filhos.

Assistente odontológica Ana Cristina Amato foi presa em Nova Jersey

Reprodução/South River Police Dept.

A brasileira relatou que trabalha como assistente em diversos consultórios da região e frisou que todos os procedimentos que faz têm a supervisão de dentistas. No caso do paciente compatriota, não havia essa supervisão. Porém, Ana Cristina destacou que ela não se fazia necessária pois ela não tocaria na na gengiva ou na polpa do dente do brasileiro.

Ela também abriu um "escritório" onde, segundo alegou ao PAGE NOT FOUND, ajuda dentistas brasileiros que estejam tentando iniciar a carreira nos EUA.

"Já conquistei o sonho americano. Queria ajudar as pessoas. Os brasileiros são considerados muito bons dentistas aqui. Eu eu os ajudo a se prepararem para o mercado americano, a se adaptarem às coisas específicas daqui", disse Ana Cristina, que tem equipamento odontológico completo no "escritório", cujo espaço é dividido com uma manicure.

A brasileira, no entanto, admitiu que o seu "erro" foi ter atendido o compatriota no "escritório" e não num consultório regular.

"Esse foi o meu erro. Só queria ajudar. Fui estúpida. Nunca mais faço isso!", completou ela.

Quanto aos US$ 300 dólares que o paciente alega ter desembolsado pelo atendimento, Ana Cristina alega que foram apenas US$ 100.

"Os outros 200 dólares eram o que a patroa dele me devia, pois tinha vendido roupas para ela", argumentou a brasileira, que vende peças de vestuário pela internet.

A polícia entrou na história após o paciente retornar ao "escritório" exigindo a devolução do dinheiro pago por ele a Ana Cristina.

"Eu neguei, afinal tinha feito o meu serviço. Eu fui a primeira a fazer pessoalmente a queixa, pois ele voltou gritando. A delegacia fica do outro lado da rua", defendeu-se a assistente.

Ana Cristina Amato mostrou ao PAGE NOT FOUND conversa com o paciente e uma radiografia de dentes dele

Imagens cedidas ao PAGE NOT FOUND

Segundo Ana Cristina, o paciente trabalha como diarista de faxina em residências da região. Apesar da "situação ilegal" e da pressão dos agentes da Imigração sobre os não documentados, ele foi denunciá-la à polícia, alegando ter ficado sangrando após o procedimento.

"Não tem como eu tê-lo deixado sangrando. Tem uma cultura aqui de os ilegais acharem que, se fizerem uma denúncia policial, eles vão ser bem vistos e vão ganhar o green card um dia", rebateu a assistente. "Todo mundo na região está fugindo do ICE (a polícia da Imigração). Então, para sair de casa e vir me procurar, era porque ele estava sentindo uma dor muito forte. Não quero prejudicar ninguém, não quero ser a responsável pela deportação de ninguém. Seria horrível. Mas também não posso ser prejudicada. O meu escritório está fechado desde então, tenho contas a pagar", acrescentou ela.

A brasileira contou que o compatriota não compareceu a duas audiências na Justiça por "motivo óbvio".

"Não acredito que ele vá aparecer. Eu só quero ter a minha vida de volta, sair desse pesadelo. Fiquei 12 horas presa. Foi horrível. Tem sido bem difícil", finalizou ela.

O paciente atendido por Ana Cristina não foi encontrado pelo PAGE NOT FOUND.