Divisão entre lideranças iranianas impediu viagem de equipe para negociar com os EUA, diz site
Divisões dentro das lideranças iranianas impediram que uma equipe de negociação viajasse a Islamabad, no Paquistão, para conversas com os Estados Unidos, segundo apurou o site Iran International.
As tensões entre aliados do presidente Masoud Pezeshkian e figuras próximas ao gabinete do líder supremo Mojtaba Khamenei inviabilizaram a viagem faltando pouco tempo para ocorrer.
Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a delegação estava pronta para partir quando uma mensagem do círculo íntimo de Khamenei descartou a discussão de questões nucleares e repreendeu a equipe do Ministério das Relações Exteriores pelas negociações anteriores.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, alertou que, sob tais restrições, participar de negociações não teria utilidade alguma e, na prática, condenaria qualquer chance de progresso.
O relatório surge após indicações anteriores de que uma delegação dos EUA liderada pelo vice-presidente JD Vance poderia viajar a Islamabad para negociações, enquanto o presidente Donald Trump prorrogou o cessar-fogo para dar tempo a uma possível proposta iraniana.
Trump afirma que 'não tem pressa' para fechar acordo com o Irã
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Divulgação/Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à Fox News que 'não tem pressa em fechar o acordo com o Irã'. Ele ainda complementou que a política não afetará em nada o cronograma da guerra.
Trump incluiu nessa parte das eleições de meio de mandato, dando ideia de que o conflito poderia demorar mais tempo.
Trump não estipulou um novo prazo específico de duração do cessar-fogo. Foi o que disse nesta quarta-feira (22) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Na terça (21), Trump anunciou que prorrogaria a trégua — prevista inicialmente para terminar nesta quarta.
Leavitt também afirmou que Trump não considera que a apreensão de dois navios no Estreito de Ormuz por parte do Irã tenha sido uma violação à trégua:
"Não eram navios americanos, não eram navios israelenses. Eram dois barcos internacionais. Os iranianos estão agindo como um bando de piratas. A marinha irianiana está praticamente extinta. O Irã não tem controle no Estreito"
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirma que suas forças interceptaram 29 embarcações iriananas desde o bloqueio no Estreito de Ormuz, causando colapso a economia do país.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse as ameaças norte-americanas e o bloqueio naval são os principais obstáculos a uma negociação de paz definitiva.
O governo iraniano considera o bloqueio um ato de guerra e afirma que, enquanto a medida continuar, o Estreito de Ormuz não será reaberto e não dará início a qualquer negociação para o fim da guerra.
