'Assassina dos cogumelos': Justiça rejeita recurso de australiana que serviu comida envenenada a parentes e mantém prisão perpétua

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Condenada pelo assassinato de três pessoas e pela tentativa de homicídio de uma quarta em um caso de envenenamento com cogumelos, a australiana Erin Patterson, de 52 anos, perdeu um recurso nesta sexta-feira. O Tribunal de Apelação de Victoria manteve as condenações e determinou que ela cumpra prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

A decisão representa uma mudança em relação à sentença original, que permitia à mulher solicitar o benefício após cumprir pelo menos 33 anos de prisão. Quer morar fora do Brasil? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países

Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Os três juízes do tribunal rejeitaram os sete argumentos apresentados pela defesa para tentar anular as condenações, segundo reportagem da emissora inglesa BBC.

Os magistrados também concordaram com a Promotoria, que considerava insuficiente a pena anterior diante da gravidade dos crimes. Ao anunciar a decisão, o juiz Stephen McLeish afirmou: "Concluímos que o caso envolveu uma criminalidade tão chocante que é inadequado estabelecer um período mínimo para a concessão de liberdade condicional".

Os magistrados classificaram os crimes como "extraordinariamente frios e premeditados" e disseram que precisavam ser "condenados nos termos mais veementes". O almoço que terminou em três mortes

O caso aconteceu em 2023, quando Patterson serviu um almoço em sua casa, em uma região rural do estado de Victoria. A refeição, que incluía filé Wellington, continha cogumelos venenosos conhecidos como chapéu-da-morte.

Após um julgamento de grande repercussão no ano anterior, um júri considerou Patterson culpada pelo assassinato de seus sogros, Don e Gail Patterson, e de Heather Wilkinson, irmã de Gail. Ela também foi condenada pela tentativa de homicídio de Ian Wilkinson, marido de Heather, que sobreviveu ao envenenamento.

Ian passou semanas internado e continua enfrentando problemas de saúde em consequência da intoxicação. O marido de Erin, Simon Patterson, de quem ela estava separada, também deveria participar do almoço, mas cancelou a presença de última hora.

Segundo a reportagem, uma das razões foi acreditar que a esposa havia tentado envenená-lo repetidamente ao longo de vários anos. Os sete argumentos rejeitados pela Justiça

Em agosto, a defesa apresentou sete argumentos para tentar reverter as condenações. Um deles questionava a hospedagem dos jurados no mesmo hotel em que ficaram integrantes da acusação, uma testemunha importante da polícia e representantes da imprensa.

Os advogados classificaram a situação como "catastrófica" e alegaram que ela havia comprometido a integridade do julgamento. A equipe jurídica também contestou o uso de dados de torres de telefonia celular que indicariam visitas de Patterson a áreas onde poderiam ser encontrados cogumelos chapéu-da-morte.

Outro ponto questionava a utilização de publicações no Facebook nas quais a condenada reclamava dos sogros. A defesa ainda alegou que o juiz impediu a apresentação de provas que demonstrariam que Patterson tinha como passatempo de longa data procurar cogumelos na natureza.

Também classificou como "injusto e opressivo" o interrogatório da mulher pela acusação, que durou cinco dias. Por fim, os advogados questionaram os argumentos da Promotoria sobre a motivação dos assassinatos, que consideraram contraditórios.

Os três magistrados rejeitaram todos os pontos apresentados pela defesa nesta sexta-feira. Promotoria também contestou sentença original

Em setembro do ano anterior, Patterson havia sido condenada à prisão perpétua, com período mínimo de 33 anos antes de poder solicitar liberdade condicional. Na ocasião, a sentença levou em consideração as "duras condições carcerárias" que provavelmente enfrentaria.

A Promotoria também recorreu da decisão por considerar insuficiente a possibilidade de liberdade condicional diante da gravidade dos crimes. O Tribunal de Apelação concordou com esse entendimento e retirou a previsão de um período mínimo para o benefício.

A equipe jurídica de Patterson tem 28 dias para decidir se tentará convencer a Suprema Corte da Austrália a analisar um novo recurso.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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