Em 2002, o Brasil tinha renda por habitante maior que a de 14 países que hoje estão à frente: da China à Geórgia, da Tailândia à Guiana

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Em 2002, o Brasil tinha PIB per capita maior que o de 14 países que hoje o superam. A renda brasileira cresceu 40%, mas a de China, Geórgia e Tailândia cresceu bem mais.

Uma tabela circula nas redes com um recorte incômodo. Em 2002, o Brasil era o primeiro entre 15 países, com PIB per capita de 14.266 (PPC, em dólares internacionais constantes de 2021).

Em 2025, é o último: 20.025. Os outros 14 passaram à frente.

A tabela não traz fonte, e vale tratá-la como um levantamento a verificar. Ainda assim, o recorte permite entender como o mundo se moveu em 23 anos.

Primeiro, um ponto de rigor: o Brasil não ficou mais pobre. A renda por habitante subiu 40,4%, cerca de 1,5% ao ano.

O problema é de ritmo. Quem estava atrás cresceu muito mais rápido:

Os países se dividem em grupos com razões diferentes. Petróleo.

A Guiana é caso único: a renda dispara com o petróleo offshore. O Azerbaijão também deve muito aos hidrocarbonetos.

Aqui a comparação com o Brasil é injusta, mas serve de aviso sobre a volatilidade de uma economia baseada em uma commodity. O milagre chinês.

Com mais de sete décadas de planejamento, a China multiplicou a renda por cinco em 23 anos. Não cabe comparar diretamente, mas é o exemplo extremo do que investimento e produtividade fazem juntos.

Os recuperados do bloco soviético e dos Bálcãs. Geórgia, Armênia, Albânia, Bósnia, Bielorrússia, Sérvia e Macedônia do Norte saíram de bases muito baixas depois do colapso dos anos 1990.

A recuperação foi rápida, ajudada por abertura, investimento externo e, em vários casos, pela âncora da integração europeia. Na Bielorrússia, analistas apontam que parte do crescimento veio de subsídios e crédito russos.

Turismo e serviços. Maurício, Maldivas e República Dominicana construíram renda com turismo, zonas francas e serviços.

A industrial exportadora. A Tailândia é o caso mais comparável ao Brasil: país de renda média, indústria relevante, população grande.

Passou de 12.514 para 22.432, enquanto o Brasil subiu menos. A tabela tem vieses.

Vários dos 14 são economias pequenas e partiram de bases muito baixas, o que facilita crescer rápido. Mas isso não explica Tailândia, República Dominicana ou Sérvia, que partiram de renda parecida com a do Brasil e cresceram 1,8 a 2,2 vezes, contra 1,4.

O Brasil também passou cinco países que estavam à frente em 2002: Gabão, Guiné Equatorial, Palau, Suriname e Líbia. Três deles, Gabão, Guiné Equatorial e Líbia, tiveram queda absoluta da renda per capita.

São economias dependentes de recursos naturais e instabilidade política, e mostram o outro lado da moeda petrolífera. Em 23 anos, o Brasil dobrou menos que quase todos os comparáveis.

Um crescimento de 1,5% ao ano por habitante está abaixo do ritmo da economia mundial no período, que costuma ficar acima de 2% ao ano. Na coluna da tarde, vamos ver por quê, com os números do investimento, da produtividade e dos governos.

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