Artemis II: de e-mail travado a sono 'de morcego', confira alguns 'perrengues' da missão rumo à Lua
Eles bebem milk-shake, tiram fotos com o celular, gerenciam e-mails e até consertam banheiro — a rotina dos astronautas da missão Artemis II, a caminho da Lua, tem momentos banais e também é marcada por imprevistos. Gente como a gente.
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A bordo da nave Orion, os quatro tripulantes enfrentam até alguns “perrengues” enquanto cumprem uma missão histórica no espaço profundo.
Um dos principais problemas surgiu logo no sistema sanitário da cápsula, que conta com apenas um banheiro — e que apresentou falhas.
Diferentemente das missões Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, quando astronautas utilizavam sacos para coleta de dejetos, a Orion dispõe de um sistema mais moderno. Ainda assim, o equipamento precisou de ajustes.
A solução veio da especialista da missão Christina Koch, a primeira mulher a viajar ao espaço profundo.
— Estou orgulhosa de me chamar a encanadora do espaço — disse: — Gosto de dizer que é, possivelmente, a peça mais importante do equipamento a bordo. Então, respiramos aliviados quando tudo acabou ficando bem.
O banheiro fica em um cubículo barulhento, exigindo proteção auditiva durante o uso. Ainda assim, é o único espaço de privacidade na nave.
— É o único lugar ao qual podemos ir durante a missão onde podemos sentir como se estivéssemos sozinhos por um momento — afirmou o canadense Jeremy Hansen.
Falhas tecnológicas incluem até e-mail
Nem mesmo os sistemas digitais escaparam. O comandante Reid Wiseman relatou problemas com o e-mail durante a missão.
— Também vejo que tenho dois Microsoft Outlook e nenhum deles funciona — disse em transmissão ao vivo da Nasa.
A falha foi resolvida posteriormente pelo Centro de Controle da Missão, em Houston.
Dormir no espaço exige adaptação extrema
Outro desafio é o sono em microgravidade. Os astronautas dormem em sacos presos às paredes da cápsula para evitar que flutuem.
— Christina esteve dormindo de cabeça para baixo no meio do veículo, como um morcego pendurado no nosso túnel de acoplamento — relatou Wiseman: — É mais confortável do que se poderia pensar.
A missão não prevê descanso. Os tripulantes seguem uma rotina rígida que inclui manobras, testes e observações científicas, além de 30 minutos diários de exercícios físicos para evitar perda de massa muscular e óssea.
Eles utilizam um dispositivo semelhante a um ioiô, que permite atividades aeróbicas e de resistência.
Entre tarefas técnicas, momentos de leveza
Apesar dos desafios, há espaço para momentos cotidianos. A alimentação inclui 58 tortilhas, 43 xícaras de café, carne de churrasco bovino e cinco tipos de molho picante.
A especialista Christina Koch comparou a preparação da missão a uma viagem de acampamento.
— Representa união e algo um pouco fora do comum — disse.
A Nasa também liberou o uso de celulares, permitindo que os astronautas registrem imagens e compartilhem a experiência.
Mesmo em meio à pressão, a experiência desperta entusiasmo.
Hansen descreveu a sensação de flutuar como algo quase infantil:
— Simplesmente me faz sentir como um menino.
Para Victor Glover, a decolagem foi o ponto alto.
— Foi uma viagem na qual você tenta se manter profissional — afirmou: — Mas o menino que leva dentro de si quer sair e começar a gritar.
