Art Basel Miami Beach: custos locais e oscilações do mercado quase levam maior feira dos EUA da Flórida para Las Vegas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Adeus, Art Basel Miami Beach; olá, Art Basel em Las Vegas? Este foi o aviso direto dado na semana passada por uma das principais feiras de arte do mundo às autoridades de Miami Beach: o evento, hoje realizado na Flórida, poderia ser transferido para Nevada caso a cidade não reduzisse drasticamente as taxas cobradas pelo uso do centro de convenções a cada mês de dezembro. Na Gávea: Centro Brasileiro de Relações Internacionais inaugura braço cultural em sua nova sede carioca Douglas Lopes: Morador da Maré usa fotografia para transformar o cotidiano despercebido da favela em arte A possibilidade de a Art Basel deixar sua casa de longa data na Flórida — onde a feira é realizada desde 2002 — surgiu após 18 meses de negociações travadas entre o MCH Group (grupo suíço proprietário de cinco edições internacionais da Art Basel) e a Prefeitura de Miami Beach. O ponto central do impasse, discutido semana passada entre autoridades municipais, é a exigência da Art Basel de reduzir pela metade o aluguel anual de quase US$ 1 milhão que a feira paga a Miami Beach. — Se este acordo não avançar, a Art Basel está preparada para deixar Miami Beach? — perguntou o vereador David Suarez a Noah Horowitz, CEO da Art Basel. Horowitz rebateu: — Por necessidade, teríamos que reavaliar nossa posição em Miami Beach. No fim, as autoridades preferiram não arriscar para ver se a Art Basel estava apenas blefando. O prefeito de Miami Beach, Steven Meiner, e os comissários aprovaram, por 6 votos a 1, um novo contrato de cinco anos com a Art Basel, válido até 2031, que inclui uma redução do aluguel anual de quase US$ 1 milhão para US$ 500 mil. Andrea Zappia, CEO do MCH Group, discutiu a possível mudança para Las Vegas em dezembro passado, durante uma visita a Norman Braman — bilionário, concessionário de automóveis e filantropo, a quem se atribui, em grande parte, o mérito de ter convencido o MCH a lançar uma edição da feira em Miami Beach. Em uma entrevista na sexta-feira, Braman relatou que Zappia — acompanhado por Frederic Michel, diretor do MCH — afirmou que, caso a Art Basel não obtivesse uma redução significativa no valor do aluguel, deixaria Miami Beach rumo a Las Vegas. Art Basel Miami Beach abre para convidados em 2025 com cachorros robôs com cabeça de Musk, Zuckerberg e Bezos Nelson Gobbi / O GLOBO O impacto transformador da Art Basel tem sido inegável, estendendo-se muito além da Miami Art Week — a intensa série de exposições temporárias, eventos especiais e feiras paralelas que toma conta da região durante a Art Basel, cuja edição deste ano ocorre de 2 a 6 de dezembro. De fato, uma cidade que, no passado, era vista apenas como um destino voltado para o entretenimento adulto de reputação duvidosa, hoje se posiciona, com credibilidade, como um polo cultural global ativo durante todo o ano. Isso sem falar no impacto econômico direto de US$ 60 milhões gerados anualmente pela Art Basel, seus 80 mil visitantes e os eventos associados. No entanto, se o MCH esperava que tudo isso convencesse Braman a interceder a seu favor nas negociações contratuais, enganou-se. O magnata considerou “ofensiva” qualquer proposta de redução no aluguel e classificou a menção a uma possível mudança como um blefe. Visão geral da Art Basel Miami Beach em 2024: 49 galerias estreiam na maior feira das Américas este ano Divulgação/Cortesia da Art Basel Pelo novo acordo, a Art Basel obteve da prefeitura créditos adicionais para cobrir custos com serviços de polícia, bombeiros e atendimento médico de emergência, resultando em uma economia anual de cerca de US$ 650 mil para a feira. Além disso, feiras de arte concorrentes estão agora proibidas de alugar o centro de convenções nos 30 dias que antecedem e nos 30 dias que sucedem a Art Basel. A organização também conquistou poder de veto sobre quaisquer eventos em parques públicos ou na praia que estejam situados dentro de uma “zona da Art Basel” — área de cerca de 2,6km² ao redor do centro de convenções. A discussão que antecedeu a votação, transmitida pela televisão, tornou-se acalorada. Suarez, cético declarado em relação ao contrato revisado, ligou para Braman e, em seguida, aproximou o telefone do microfone em sua bancada. Braman afirmou na reunião que era a favor da permanência da feira, mas que acreditava ser possível negociar condições melhores para a cidade. Ele mencionou o anúncio feito pela MCH em 2020, segundo o qual o magnata da mídia James Murdoch havia se tornado um acionista de referência ao investir cerca de US$ 80 milhões. Diante disso, Braman argumentou que nem Murdoch nem a MCH precisavam do auxílio da cidade. — Não cabe aos contribuintes subsidiar a iniciativa privada — disse ele. Além disso, Braman acrescentou que, caso a Basel decidisse partir, “já entrei em contato com pessoas — os novos proprietários da Frieze Art Fair — que viriam para a cidade de Miami Beach prontamente e assumiriam todo o período que a Art Basel ocupa atualmente”. Belinda Bowring, porta-voz da Mari — empresa controladora da Frieze —, classificou a alegação de Braman como “completamente falsa”. Quanto à perspectiva da Art Basel, Horowitz apresentou uma reflexão contundente sobre a situação delicada do mercado de arte. Ele explicou aos presentes na reunião que os lucros recentes da MCH surgiram após anos de “prejuízos extraordinários, nos quais a MCH quase enfrentou a insolvência. Eles receberam um grande investimento da Lupa Systems (de James Murdoch) para estabilizar o negócio”. Horowitz acrescentou, ainda, que as feiras da Art Basel — realizadas em Basel (Suíça), Hong Kong, Miami Beach, Paris e Catar — “enfrentam, no momento, uma retração cíclica, de uma magnitude que não víamos desde o lançamento da Art Basel Miami Beach, no início dos anos 2000”. Horowitz acrescentou que, com o mercado forçando muitas galerias a cortar despesas — limitando sua participação em feiras ou até mesmo encerrando as atividades —, a Art Basel Miami Beach optou por reduzir seu tamanho, em vez de preencher o espaço com galerias de qualidade inferior. (No ano passado, 283 galerias estiveram representadas nos principais setores da feira, em comparação com as 250 esperadas para este mês de dezembro.) Diante da perspectiva econômica sombria apresentada por Horowitz, outro vereador, Joe Magazine, afirmou que não estava disposto a verificar se a Basel estava apenas blefando sobre a possibilidade de se mudar. — Não é um jogo de “quem recua primeiro” do qual eu queira participar — disse. Magazine integrou a maioria de 6 votos a 1 que aprovou o novo contrato; apenas Suarez votou contra.

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